O território ocupado da Cisjordânia foi palco de confrontos isolados neste domingo, um dia após o anúncio de medidas para regular o acesso à Esplanada das Mesquitas, epicentro da onda de violência entre palestinos e israelenses.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, anunciou no sábado em Amã que Netanyahu havia aceitado a ideia jordaniana de instaurar um sistema de videovigilância, durante as 24 horas do dia, de todos os lugares do complexo, situado em Jerusalém oriental.

O controle e o acesso à Esplanada das Mesquitas - terceiro lugar sagrado mais importante do Islã, venerado também pelos judeus que o consideram como local do Templo de Salomão - é um dos catalisadores da onda de violência que desde 1º de outubro atinge Jerusalém, os Territórios Palestinos e Israel.

Tanto palestinos como a Jordânia acusam Israel de querer mudar os termos ("status quo") que desde 1967 regem a Esplanada, onde se encontra a mesquita de Al-Aqsa, e dividi-la entre judeus e muçulmanos - essas normas permitem que os judeus visitem o recinto em determinadas horas, mas os proíbe de rezar ali.

Netanyahu sempre negou a intenção de modificar essas regras.

Os enfrentamentos entre jovens palestinos e forças israelenses são quase diários, assim como as agressões mútuas entre colonos e palestinos e ataques com armas brancas.

Desde 1º de outubro, a onda de violência causou a morte de 54 palestinos e oito israelenses. Metade dos mortos palestinos morreram quando atacavam policiais, soldados ou civis israelenses, na maioria dos casos com facas.

Mais cedo neste domingo, um israelense foi ferido na Cisjordânia ocupada por um palestino que o agrediu com uma faca e conseguiu fugir, anunciou o exército israelense.

A agressão ocorreu perto da colônia de Mezad, ao nordeste de Hebron, informaram os serviços de emergência israelenses.

Perto dali, um palestino de 20 anos ficou gravemente ferido depois de que um colono israelense disparou contra ele nos arredores do povoado de Sair, no nordeste de Hebron, sul da Cisjordânia ocupada.

Uma mulher palestina morreu neste neste domingo após ser baleada por uma patrulha fronteiriça em Hebron, no sul da Cisjordânia, após tentar apunhalar um agente, informaram as autoridades israelenses.

"Uma palestina que agia de maneira suspeita se aproximou das forças policiais. Foi pedido que ela se identificasse e de repente ela tirou uma faca e se aproximou gritando. Os agentes então dispararam contra ela e a neutralizaram", disse a polícia israelense em comunicado.

A palestina não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.

"O interesse de Israel"

Benjamin Netanyahu declarou neste domingo que a instalação de câmeras de segurança na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, está em sintonia com os interesses de seu país.

Para ele, as câmeras "vão servir primeiro para refutar a ideia de que Israel está violando o status quo e, segundo, para mostrar de onde vêm realmente as provocações e para preveni-las".

"Os muçulmanos rezam no monte do Templo (nome usado pelos judeus para se referir à Esplanada), os não-muçulmanos visitam o monte do Templo", garantiu.

Os líderes palestinos mostraram suas reservas sobre o acordo entre Israel e Jordânia. "Não julgaremos palavras, e sim atos", afirmou o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat.

"Não haverá paz sem uma perspectiva política para colocar um termo definitivo à ocupação" dos territórios palestinos por Israel desde 1967, disse Nabil Chaath, alto dirigente do Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

* AFP

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