— Se você for candidato, eu vou ser também. Se perder, perdi para o Clésio, se ganhar, ganhei do Clésio.

A frase, dita em tom de brincadeira ao próprio ex-prefeito Clésio Salvaro (PSDB) por um possível adversário nas eleições do ano que vem, resume um pouco a expectativa sobre a disputa pela prefeitura de Criciúma. Em todos os partidos, a análise do cenário depende da participação ou não do ex-prefeito.

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Tido como imbatível nas urnas, o tucano continua tendo como maior adversário a Justiça Eleitoral. Em 2012, quando disputava a reeleição, recebeu 75,6% dos votos. Não pôde reassumir porque foi considerado ficha-suja devido a uma condenação recebida na eleição anterior, acusado de abuso do poder econômico por conta de sua atuação como radialista e deputado estadual. Cinco meses depois, na eleição suplementar, as urnas confirmaram sua popularidade: o ex-vice-prefeito Márcio Búrigo (PP) venceu com 72,2%.

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Poucos meses após uma campanha em que Clésio martelou o bordão "Márcio e eu", aconteceu o inesperado rompimento entre o tucano e o pepista. Buscando voo próprio, Búrigo aproximou-se do governador Raimundo Colombo (PSD) e, principalmente, do vice Eduardo Pinho Moreira (PMDB), ex-prefeito da cidade e rival político de Clésio.

— Ele mudou de lado, de palanque, de amizades. E o que hoje percebo é uma cidade em situação pior do que entreguei — critica o tucano.

O tira-teima entre criador e criatura depende, mais uma vez, da Justiça. O ex-prefeito aguarda o julgamento de seu recurso junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a candidatura de 2012. O tribunal vai julgar se a condenação imposta em 2009, antes da existência da Lei Ficha Limpa, poderia ser aplicada em 2012. Em janeiro deste ano, uma liminar do ministro Ricardo Lewandowski chegou a devolver Clésio à prefeitura por 42 dias — até a decisão ser derrubada pelo relator do caso, o também ministro Luiz Fux. O tucano ainda tem esperanças de que as condenações da Justiça Eleitoral sejam derrubadas no STF.

— Uma coisa é certa: ou reassumo a prefeitura ou serei candidato ano que vem — afirma Clésio, embora sua elegibilidade possa novamente ser questionada por ter assumido o segundo mandato, mesmo que por poucos dias.

Candidato declarado à reeleição, Búrigo tenta evitar o confronto com o ex-aliado e ainda defende a manutenção da aliança com os tucanos, alegando inclusive que o acerto se dê mirando as eleições de 2018. Na campanha, vai defender que durante seu governo Criciúma deixou de ser a 10ª para ser a oitava economia do Estado e que é preciso preparar a cidade para o novo momento gerado pela duplicação da BR-101 Sul, o início das operações do aeroporto de Jaguaruna e o crescimento do Porto de Imbituba. Lamenta a possibilidade de uma nova candidatura de Clésio judicializar mais uma disputa.

— Esse é o pior cenário, Criciúma sofreu muito com isso. Eu espero que ele se conforme com a impossibilidade de estar na eleição — afirma o pepista.

Além do ex-prefeito, o PSDB tem ainda duas opções para a vaga: a deputada federal Geovânia de Sá e o vereador Ricardo Fabris, que recentemente deixou o PDT e virou tucano, após meses de flerte com o PSD. Tentando fugir da imagem de anti-Clésio, o PMDB filiou o empresário Olvacir Fontana, mas ele dá sinais de que só entrará na disputa na ausência do tucano.

A construção de uma terceira via também não é descartada. Esse caminho passa pela Assembleia Legislativa, em conversas que envolvem os deputados estaduais Cleiton Salvaro (PSB) — primo, mas adversário de Clésio —, Ricardo Guidi (PPS) e Luiz Fernando Vampiro (PMDB).

Eleições que marcaram

1992
Com 42% dos votos, o então deputado federal Eduardo Pinho Moreira (PMDB) foi eleito prefeito em uma disputa polarizada com o Moacir Fernandes (PDS). Quatro anos depois, consolidaria a liderança na cidade elegendo o sucessor, Paulo Meller (PMDB), com 47,2% dos votos.

2000
Na tentativa de retornar ao comando do município após a desgastada gestão de Meller, Pinho Moreira acaba derrotado por Décio Góes (PT) - 49,2% a 40,3% para o petista. Dois anos depois, o peemedebista seria eleito vice-governador na chapa de Luiz Henrique (PMDB).

2004
Reeleito nas urnas, Décio Góes (PT) acabou barrado pela Justiça Eleitoral após ação do PMDB por uso da máquina na campanha. O episódio marca o início da judicialização da política criciumense. Como não fez mais de 50% dos votos, assumiu o cargo o segundo colocado Anderlei Antonelli (PMDB).

2012
Eleito prefeito em 2012, Clésio Salvaro (PSDB) recebeu das urnas uma votação consagradora, 75,6%, para continuar mais quatro anos na prefeitura. O problema é que o tucano estava barrado pela Lei Ficha Limpa, por causa de uma condenação na Justiça Eleitoral. Uma nova eleição foi marcada e o tucano apoiou seu vice, Márcio Búrigo (PP), que recebeu 72,2% dos votos.
DIÁRIO CATARINENSE
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