"É preciso modernizar as escolas", diz professor Mozart Neves Alan Pedro/Agencia RBS

Professor Mozart Neves estará em Florianópolis nesta terça-feira

Foto: Alan Pedro / Agencia RBS

Figurando entre os maiores especialistas em educação do país, o pernambucano Mozart Neves defende que a escola brasileira saia da zona de conforto e passe a buscar mais proximidade com aquilo que interessa ao estudante.

O professor visita Florianópolis nesta terça-feira para lançar o novo livro, Educação brasileira: uma agenda inadiável, que desenha uma espécie de perspectiva global para o setor nos próximos 15 anos.

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Neves já foi reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e secretário de Educação daquele Estado. Em conversa com o DC, o diretor de inovação do Instituto Ayrton Senna explicou que a educação não pode mais ser vista como algo importante, mas como prioridade.

O que precisa mudar na educação brasileira de 2015 para 2030? Como está o Brasil nessa trajetória?
O Brasil ainda enfrenta grandes desafios do século 20 e está tentando encontrar uma forma de trazer a educação para o século 21. A alfabetização, por exemplo, não é mais uma questão grave em países desenvolvidos, mas ainda é no Brasil. É preciso modernizar o ambiente das escolas, mas são muitas as dúvidas de como fazer isso. Afinal, qual será o papel do professor em 2030? Será muito diferente do que estamos praticando agora? E como será a sala de aula, será que todos os alunos vão continuar alinhadinhos em suas carteiras? O importante para essa mudança é enxergar a educação como uma forma de incentivar ambientes muito mais complexos e também ensinar a trabalhar de maneira colaborativa e com mais criatividade.

Quando se fala em modernizar a escola, é normal que se remeta ao uso de mais tecnologias. Esse é o caminho correto para uma mudança?
Repare que eu fiz questão de não usar o termo tecnologia na nossa conversa, pois ela é apenas um meio e nunca um fim. O que é essencial para a educação no século 21 é que se consiga associar a tecnologia a outros insumos que permitam uma educação integral. Refiro-me a um ensino que não tratará apenas das habilidades cognitivas, como tanto ocorre hoje, mas também de outras habilidades necessárias para que o jovem aprenda com prazer e satisfação. A tecnologia é um meio que pode ajudar na travessia do século 20 para o 21, mas não é ela que será a educação ideal – até porque as descontinuidades tecnológicas são cada vez mais profundas e rápidas, então não há como torná-las o centro do debate na educação.

Qual das etapas da educação enfrenta a situação mais problemática hoje no Brasil? Por quê?
Com certeza é o Ensino Médio, que representa esta fase extremamente importante e peculiar para o indivíduo. É um momento em que ele está deixando de ser um adolescente, entrando na juventude e se preparando para a universidade, para o mundo do trabalho e para sua própria autonomia. Hoje ainda não se sabe qual é a escola que deveríamos oferecer para o jovem. Temos uma educação que não dialoga com o mundo deles, que não diz para que está sendo oferecida, mas não temos a solução para isso. O jovem quer uma educação voltada ao que ele presencia, ao que ele pensa, e não a um mundo alheio a isso tudo.

Com base no nome do seu novo livro: por que a educação deve ser inserida com tanta urgência na agenda brasileira?
A educação é uma questão que não pode mais ser refém de crises econômicas ou políticas. Ela tem que ser uma prioridade do país, sempre. Como disse uma vez o ex-reitor da universidade de Harvard Derek Bok: “Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância”. Isso sim sai caro. O que acontece é que políticos ou interessados falam constantemente o quanto a educação é importante. Oras, quase tudo é importante. A educação tem que ser prioridade e a sociedade tem que se mobilizar pela causa o tempo inteiro. Caso contrário, vai pagar um preço muito alto. No caso do Brasil, em particular, há ainda um desafio que reforça isso, que é a desigualdade. Figuramos entre as maiores economias do mundo, mas não entre os melhores índices de desenvolvimento social.

l O 3o Seminário Internacional da Educação, que ocorre nesta terça em Florianópolis, contará com profissionais e especialistas brasileiros, americanos e chineses. As inscrições para o evento já estão encerradas, mas quem tiver interesse poderá acompanhar a transmissão ao vivo pelo link http://bit.ly/1Rkfibv.

l O seminário promovido pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) faz parte das ações do movimento A Indústria pela Educação.

l Durante o dia, participantes conhecerão histórias bem-sucedidas em cidades como Xangai (China) – que lidera a avaliação internacional de desempenho estudantil – e Boston (EUA), que atua nas inovações desenvolvidas no Vale do Silício. Especialistas da Finlândia, que trabalham na capacitação de professores das entidades da Fiesc, também participam do evento.
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