Faltando pouco menos de um ano para as eleições, apenas um nome parece garantido na disputa pela prefeitura de Blumenau: o atual prefeito Napoleão Bernardes (PSDB). Principais opositores do tucano na disputa de 2012, PSD e PT ainda não definiram quem irá para a disputa, que tende a ganhar novos personagens.

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Na eleição passada, Blumenau viveu pela primeira vez a experiência de um segundo turno que conseguiu quebrar a polarização entre petistas e pessedistas. Napoleão venceu o segundo turno contra o deputado estadual Jean Kuhlmann (PSD) com discreto apoio do PT da também deputada Ana Paula Lima (PT), que ficou em terceiro. De lá para cá, muita coisa mudou.

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O tucano teve dificuldade de colocar em prática boa parte de suas promessas de campanha, como a criação de uma guarda-municipal, a instalação de corredores de ônibus e a polêmica sobre a localização da ponte sobre o rio Itajaí-açu, no centro da cidade. Napoleão garante que vai para a campanha disposto a mostrar suas realizações e justificar o que não conseguiu fazer. Diz duvidar que o cenário apresente múltiplas candidaturas, apontando que possíveis adversários como o PMDB e o PSD apoiam a gestão na Câmara de Vereadores.

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— Tenho convicção de que esse cenário fragmentado que se apresenta no período pré-eleitoral não vai se consolidar. Temos muito mais coisas que nos aproximam do que as que nos afastam — avalia o tucano.

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A posição do PSD é justamente uma das principais variáveis do cenário. Eleito deputado federal, o ex-prefeito João Paulo Kleinübing (PSD) assumiu a Secretaria da Saúde do governador Raimundo Colombo (PSD) e ensaia voos mais altos em 2018. Com dois deputados estaduais na cidade, Kuhlmann e Ismael dos Santos, o partido buscou nomes de fora da política como opção. Filiaram-se o empresário Ronaldo Baumgarten Jr., ex-presidente da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), e o secretário estadual de Educação, Eduardo Deschamps, ex-reitor da Furb.

— Temos vários nomes. Nossa visão é de que o PSD terá candidato, mas vamos avaliar primeiro o perfil do candidato que o eleitor deseja. Se o Baumgarten ou o Deschamps concorrerem, faço questão de coordenar a campanha — afirma Kuhlmann.

Sem vencer na cidade desde 1992, o PMDB fez movimento semelhante. Entraram no partido o reitor da Furb, João Natel, e o vice-prefeito Jovino Cardoso, ex-DEM. As costurar devem chegar aos diretórios estaduais. O apoio do PSDB em 2018 pode entrar como moeda de troca para composições locais com peemedebistas ou pessedistas.

Isolado, o PT deve ter candidatura própria. Principal nome do partido na cidade, o ex-prefeito e deputado federal Décio Lima (PT) está fora do jogo depois de ter transferido o domicílio eleitoral para Itajaí. A mulher dele, deputada estadual Ana Paula Lima (PT), surge como nome natural por ter disputado a última eleição _ quando acabou em terceiro depois de liderar todas as pesquisas. Ao mesmo tempo, o vereador Jefferson Forest (PT) aparece disposto a encarar a disputa, inclusive internamente.

— Meu grupo no PT de Blumenau defende a candidatura como forma de reoxigenar o partido. Será uma eleição muito difícil, mas que apontará o futuro — afirma o vereador.

Eleições que marcaram

1988
Político de Videira, Vilson Kleinübing (PFL) havia ficado em segundo lugar na eleição para governador em 1986. A votação que recebeu em Blumenau surpreendeu e levou o pefelista a transferir o domicílio e candidatar-se a prefeito. Venceu com 47,3% dos votos, mas ficou apenas um ano e meio no cargo: renunciou e elegeu-se governador em 1990.

1996
O PT conquista pela primeira vez a prefeitura de Blumenau com Décio Lima (PT). O petista fez 52% dos votos em uma disputa que contou com então deputado estadual Wilson Wan-dall (PPB), hoje conselheiro do TCE, e Dalírio Beber (PSDB), hoje senador. Quatro anos depois, Décio seria reeleito com 62%. Hoje, o petista é deputado federal.

2008
Pela primeira vez, Blumenau teria a possibilidade de segundo turno, mas não foi necessário. O então prefeito João Paulo Kleinübing (DEM) consolidou a sua liderança na cidade ao reeleger-se com 62% dos votos contra o deputado federal Décio Lima (PT). Hoje, JPK é deputado federal licenciado e ocupa a Secretaria Estadual de Saúde.

2012
Sem Décio e JPK, Blumenau viveu pela primeira vez o segundo turno em uma surpreendente disputa entre o vereador Napoleão Bernardes (PSDB) e o deputado estadual Jean Kuhlmann (PSD). Líder das pesquisas, a deputada estadual Ana Paula Lima (PT), mulher de Décio, terminou em terceiro. De terceiro colocado, o tucano chegou a impressionantes 70% dos votos no segundo turno.

DIÁRIO CATARINENSE
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