Ex-soldado dos EUA e mais dois são indiciados por morte de gerente do tráfico, em Florianópolis Divulgação/Brigada Militar

David Herold, o Americano: atualmente está preso no Rio Grande do Sul.

Foto: Divulgação / Brigada Militar

O assassinato de Tiago Cordeiro, o Calcinha, 26 anos, considerado pela polícia como um dos crimes de grande repercussão este ano em Florianópolis por estar ligado ao comando do tráfico de drogas em boa parte da cidade, teve um desfecho na investigação.

Após mais de cinco meses de apuração, a Delegacia de Homicídios indiciou três pessoas: o ex-soldado do Exército dos Estados Unidos David Beckhauser Santos Herold, o Americano, 26 anos; Danilo de Souza, irmão do traficante Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, e Gerson Napoleão Filho.

A Justiça decretou a prisão preventiva de David e Gerson apontados no inquérito como executores do Calcinha, morto a tiros no dia 2 de abril em um posto de combustíveis, na Costeira.

David já está preso por outros crimes como a morte de Thiago Polucena de Oliveira (no Morro do 25) e tráfico de drogas.

Atualmente, está na Penitenciária de Alta Segurança (Pasc), no Rio Grande do Sul. A polícia de Florianópolis já fez o pedido para que ele seja transferido a uma prisão catarinense.

Gerson Filho está foragido e é procurado pela polícia. Danilo de Souza, irmão de Neném, apontado pela polícia como mandante da morte, teve a prisão negada, mas terá de cumprir medidas cautelares como ficar longe de testemunhas, manter endereço fixo e se apresentar em juízo a cada 15 dias.

Mais de 20 pessoas foram ouvidas no inquérito marcado pelo medo das testemunhas em sofrer represálias.



"PODEROSA GANGUE DE NARCOTRAFICANTES"

Calcinha era suspeito de gerenciar o tráfico de drogas na Costeira e ser o braço-direito do traficante Neném da Costeira.

Conforme a polícia, a morte foi cometida por uma poderosa gangue de narcotraficantes de Florianópolis e teve como motivação a apreensão de uma carga de 600 quilos de cocaína no mar, em Barra Velha, Litoral Norte, em dezembro de 2014.


Tiago Cordeiro, o Calcinha

Trechos do relatório policial afirmam que o Calcinha "andava ostentando demais, se achando, e que estava mais que na hora de dar um basta nele, que não acatava recomendações e ordens".

No inquérito, a polícia também destaca a habilidade de David Americano com as armas.

"As roupas usadas, a posição de combate, movimentação e empunhadura da arma típica de quem teve bom treinamento. Em menos de 17 segundos se deslocou do carro estacionado até o interior da loja de conveniências, em posição de combate e de abordagem, onde atingiu a vítima, resolveu panes da pistola, efetuou não menos que 12 disparos e retornou ao veículo em cerca de 20 segundos", diz o inquérito.


BMW em que Tiago Cordeiro estava no local do crime.

David Americano tem o apelido por ter cidadania americana. Ele serviu aos Exército dos Estados Unidos. Segundo a polícia, é exímio atirador, preparado com técnicas de entrada de ambientes, deslocamentos e ataques.

Policiais afirmam também que David é suspeito de dar treinamento militar a criminosos da facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

Em relação a Danilo de Souza, policiais ressaltam que teria substituído Neném no comando do tráfico e que teve desentendimentos com Calcinha em razão da liderança do bando.

Sobre Gerson Napoleão Filho, policiais afirmam que já foi investigado por envolvimento em outras mortes na região do Saco dos Limões, sendo investigado também pela Delegacia de Repressão a Roubos.

O que dizem os indiciados:

David Beckhauser Santos Herold, o Americano: o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho não foi localizado pela reportagem nesta sexta-feira. Em outras manifestações, o advogado disse que o seu cliente nega envolvimento na morte de Tiago Cordeiro, o Calcinha.

Gerson Napoleão Filho: a reportagem não conseguiu localizar o seu advogado.

Danilo de Souza: o advogado Francisco Ferreira afirma que ele nega ter sido o mandante do crime, que a polícia não conseguiu nenhuma prova que o incrimine e lembra que Danilo é primário.

DIÁRIO CATARINENSE
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