Ao menos 55 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas nesta sexta-feira em dois atentados contra mesquitas em Maiduguri e Yola, duas grandes cidades do nordeste do país, enquanto a cidade camaronesa de Kerawa foi tomada pelo Boko Haram e recuperada pelo Exército.

Vinte e sete pessoas morreram e 96 ficaram feridas após explosão de uma bomba em uma mesquita recém-inaugurada em Yola, a capital do estado nigeriano de Adamawa, afirmou a Agência Nacional de Gestão de Emergência (NEMA).

A explosão ocorreu às 14H00 locais (11H00 de Brasília) na mesquita de Jambutu Juma, pouco depois de o imã terminar seu sermão inaugural, explicou Sa'ad Bello, coordenador do NEMA em Yola, capital do estado de Adamawa.

A detonação aconteceu horas depois de 28 pessoas morrerem em um atentado suicida durante as orações matinais na mesquita de Maiduguri, a capital do estado de Borno (nordeste), reduto histórico do grupo islamita Boko Haram.

Até o momento, não estava claro se o ataque em Yola também foi um ataque suicida ou se foi provocado por um artefato explosivo escondido no prédio.

"Quando os fiéis se levantaram após o sermão, houve uma enorme explosão", explicou um voluntário que ajudou no resgate das vítimas.

"Houve um momento de confusão e havia dezenas de fiéis deitados no chão encharcados de sangue. Ainda estamos cuidando das vítimas para separar os mortos dos feridos", prosseguiu.

"Até agora, 27 pessoas morreram e 96 ficaram feridas", afirmou à AFP o coordenador da NEMA em Yola, Sa'ad Bello.

Yola era considerado um lugar relativamente seguro ante a insurgência do Boko Haram, que devastou o nordeste do país nos últimos seis anos na busca de estabelecer um califado islamita na região.

No último ano, milhares de pessoas fugiram para esta cidade, já que o grupo islamita, fortemente armado, arrasou povos e aldeias em toda a região.

Porém, os alarmes voltaram a soar quando um artefato explosivo explodiu em um acampamento de desabrigados ao sul da cidade no mês passado, matando sete pessoas e ferindo outras 20.

Também ocorreram vários ataques suicidas no norte do estado, próximos à fronteira com Borno, o mais afetado pela violência.

O ataque em Maiduguri aconteceu durante a primeira oração da manhã e foi realizado por uma única pessoa, apesar de terem sido mencionadas duas explosões.

Este é o sexto atentado suicida desde o início de outubro nesta localidade, onde nasceu o Boko Haram em 2002, antes de lançar uma insurreição que já causou mais de 17.000 mortos e 2,5 milhões de deslocados.

"Contamos 28 corpos de vítimas", afirmou à AFP Umar Sani, miliciano que participou nos trabalhos de emergência.

O número foi confirmado por um morador, Musa Sheriff, que também ajudou nas operações de resgate.

Cidade camaronesa recuperada

No vizinho Camarões, o exército camaronês recuperou à noite o controle de Kerawa, no extremo norte do Camarões, fazendo fugir para a Nigéria os islamitas do grupo Boko Haram que tinham se apoderado da cidade, informaram fontes de segurança.

"Retiraram-se depois da chegada dos militares. Não houve mais combates", afirmou à AFP uma fonte de segurança camaronesa.

Os islamitas atacaram a cidade na quinta-feira e "mataram várias pessoas nas mesquitas", segundo uma fonte de segurança que deu um balanço de 11 mortos, um número não confirmado.

Centenas de moradores fugiram buscando refúgio nas cidades vizinhas.

Kerawa, que fica colada a uma cidade nigeriana homônima, é alvo regular de ataques do Boko Haram e de atentados suicidas.

Em 3 de setembro, já tinha sido cenário de um duplo atentado no qual morreram vinte pessoas e 140 ficaram feridas.

A ofensiva dos exércitos da região fez com que os insurgentes do Boko Haram, que se uniram ao grupo extremista Estado Islâmico (EI), perdessem em 2015 grande parte dos territórios que controlavam, principalmente no nordeste da Nigéria.

No entanto, continuam solidamente entrincheirados em zonas de difícil acesso, como a floresta de Sambisa, os montes Mandara ou as ilhas do lago Chade, e multiplicam atentados suicidas em Nigéria, Níger, Camarões e Chade.

* AFP

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