Faturamento no setor de autopeças registra queda de 20% em Santa Catarina Bruno Mooca/Divulgação

BMW ainda não tem previsão de quando vai instalar o segundo turno de trabalho na fábrica

Foto: Bruno Mooca / Divulgação

O setor de autopeças em Santa Catarina acumula perda de até 20% no faturamento desde o início do ano por causa da crise na indústria automotiva. A informação é do presidente da Câmara Automotiva da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Hugo Ferreira, que também é diretor regional do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

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Segundo ele, a situação só não é pior por que o resultado negativo nos negócios com as montadoras é parcialmente compensado pelo mercado de reposição _ manutenção dos veículos em uso _ e pela alta do dólar, que favorece os ganhos com as vendas externas. Santa Catarina conta atualmente com cerca de cem empresas de autopeças, segundo a Fiesc, das quais 44% são exportadoras.

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As empresas catarinenses fornecem peças principalmente para o mercado de caminhões, justamente o mais afetado pela crise. De acordo com dados divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o número de licenciamentos de caminhões nacionais caiu 44%, e de importados, 37,6%, entre janeiro e setembro deste ano quando comparado a igual período de 2014.

Conforme Ferreira, ao contrário de outras regiões do País, a crise na indústria automotiva nacional não tem gerado grandes ondas de demissões em massa nem o fechamento de empresas em Santa Catarina.

— Houve ajustes no quadro de funcionários e queda no faturamento. A expectativa é de que o mercado não sofra alterações significativa. Se houver alguma recuperação, será no ano que vem, ainda assim, moderada — explicou.

Boa parte das empresas de autopeças situa-se no polo automotivo do Norte do Estado. A região abriga também a fábrica de motores da General Motors (GM), em Joinville, e a fábrica da BMW, em Araquari, além da fabricante de tratores LSMtron, em Garuva, setor que também não escapa da crise.

Os últimos dados da Anfavea revelam a queda de 29,8% nas vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias de janeiro a setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2014.

BMW e GM mantêm ritmo de produção

Com um ano de operação em Araquari, a BMW já produziu 10 mil veículos na unidade, o que representa 60% do volume nacional de vendas. A empresa ainda não tem previsão de quando vai instalar o segundo turno de trabalho na fábrica, o que faria o número de funcionários saltar de 650 para 1,3 mil.

Segundo a Anfavea, no acumulado de janeiro a setembro, a queda nos licenciamentos da montadora alemã foi de 0,2%. Em relação ao mês de agosto, a redução ficou em 8,6%. E, quando se compara apenas o mês de setembro de 2015 e de 2014, a queda chega a 21,9%. Vale lembrar que o segmento de carros de luxo tem sido o menos afetado pela crise.

A fábrica de motores da GM em Joinville manteve o ritmo de produção e não precisou conceder férias coletivas ou demitir trabalhadores, embora os dados da Anfavea mostrem que, em âmbito nacional, houve queda de 31,2% nos licenciamentos de veículos da montadora entre janeiro e setembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

De agosto para setembro, a redução foi de 2,2%. A planta de Joinville não é tão impactada justamente porque fornece motores, principalmente para fábrica de Gravataí (RS), que continua funcionando em três turnos.

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