Três fatos convergem para que a eleição para a prefeitura de Itajaí em 2016 seja marcante: o fim do ciclo do prefeito Jandir Bellini (PP), eleito quatro vezes nas últimas cinco disputas; a migração de nomes de peso estadual para participar da corrida eleitoral na cidade; a distância entre o crescimento econômico que levou a cidade a se tornar a maior economia do Estado e a falta de força política que a deixou sem deputados federais ou estaduais nas últimas eleições.

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Esses temas devem nortear a campanha, assim como os efeitos da redução da movimentação econômica do porto, com efeito direto na arrecadação municipal. No âmbito político, a principal mudança é a ausência de Bellini como protagonista. Desde 1992, os itajaienses se acostumaram a vê-lo na disputa.

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Naquele ano, Bellini conheceu sua única derrota, quando Arnaldo Schmitt (PMDB) foi eleito para seu segundo mandato, na última vez que os peemedebistas governaram a cidade. Desde então, o pepista venceu em 1996, 2000, 2008 e 2012 — o intervalo foi em 2004, quando, sem direito à reeleição, assistiu à vitória de Volnei Morastoni.

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Desgastado pelo tempo no poder e com a administração abalada pelas operações Parada Obrigatória e Dupla Face, do Gaeco, que investigam um supostos esquemas de propinas envolvendo funcionários municipais, Bellini deve ter pouca influência na própria sucessão. É provável que o PP nem mesmo lance candidato a prefeito ou vice.

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Tradicional rival de Bellini na disputa pelo poder, o ex-deputado estadual e ex-prefeito Volnei Morastoni também encerrou um ciclo, este pessoal. Após 35 anos de militância, trocou o PT pelo PMDB. Com a bênção da direção estadual peemedebista, chegou como pré-candidato a prefeito, acompanhado pelo filho Thiago Morastoni, vereador na cidade.

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— Itajaí vive um fim de ciclo melancólico, com a administração envolvida em operações policiais que prenderam ou afastaram pessoas importantes no governo. Nesse contexto, tenho a oferecer minha experiência, meu histórico de vida — diz Morastoni.

Veterano de eleições itajaienses, Morastoni deve encarar políticos experientes em mandatos e novatos na cidade. Depois de conquistar 60% dos votos de Itajaí para a corrida ao Senado na eleição de 2014, o ex-deputado federal Paulo Bornhausen (PSB) mudou-se para o município, onde sua família despontou para a política _ o avô Irineu foi prefeito na década de 1930. Embora ainda não confirme a candidatura, o pessebista  já articula a sucessão e deve contar com o apoio de Bellini, que minimiza.

— Tenho uma amizade antiga com o prefeito, mas ele terá um sucessor, não um herdeiro. O legado dele, assim como o dos outros ex-prefeitos, é o ponto de partida. Itajaí tem que debater como manter e consolidar os ganhos econômicos e sociais das últimas décadas — afirma.

No campo ideológico oposto, o ex-prefeito de Blumenau e deputado federal Décio Lima (PT) também fez as malas para Itajaí, cidade onde nasceu e em que também foi superintendente do Porto. Nos bastidores, sua candidatura é dada como certa, embora o próprio parlamentar ainda minimize o gesto da troca de domicílio eleitoral.

— Eu não fui para Itajaí para ser candidato, embora não esteja descartado. Fui porque o Volnei saiu e nós temos um patrimônio enorme nessa região — afirma, em referência à perda de militantes petistas para o PMDB.

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