Florianópolis tem o menor número de táxis por habitantes entre as capitais do Sul e Sudeste do Brasil Charles Guerra/Agencia RBS

Taxista Elbio Moura acredita que, além das longas jornadas, a mobilidade é um dos principais problemas da categoria

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Quem usa o serviço sabe que encontrar táxi em Florianópolis muitas vezes não é tarefa fácil. Essa dificuldade tem explicação simples: trata-se da capital com menor proporção de táxis por habitante no Sul e Sudeste do Brasil. A frota é de 471 veículos, o que significa um táxi para cada 997 habitantes. Até mesmo cidades menores, como Vitória (ES), saem na frente. Na capital do Espírito Santo, a proporção é de um táxi para 768 habitantes.

Esse cenário, no entanto, não é exclusividade de Florianópolis. Em todas as principais cidades de SC a relação de táxi por habitante supera a proporção de um para mil. E a situação é mais crítica no município com o maior PIB do Estado: Itajaí tem um veículo para cada 2.565 habitantes (veja na tabela).

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E achar o táxi nem sempre é o maior problema. Para a aposentada Solange Poersch, a principal crítica é o mau humor dos motoristas.

— Parece que estão sempre estressados. O serviço deixa a desejar e também é caro — afirma.

Segundo o professor Elson Manoel Pereira, especialista em planejamento urbano do departamento de Geociências da UFSC, o preço é a razão para o florianopolitano usar pouco o serviço.

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— É um ciclo vicioso. Como o táxi é caro, pouca gente usa. Dessa forma, os taxistas são contrários a uma expansão da frota e a concorrência não aumenta, mantendo o preço alto e fazendo com que tudo fique como está — explica.

Para ele, a solução passa pelo aumento da frota e diminuição da tarifa. As duas medidas estimulariam o uso, beneficiando taxistas, que ganhariam em volume, e os cidadãos, que teriam uma opção a mais na hora de se movimentar.

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Se conseguir um táxi pode ser complicado no inverno, a situação piora no verão. Razão para as críticas do professor de turismo do IFSC Vinicius de Lucca Filho.

— O turista pode ter várias experiências maravilhosas, mas o que fica na mente em várias ocasiões é aquele serviço mal prestado.

A deficiência no sistema é reconhecida pelo poder público. A Secretaria de Mobilidade Urbana de Florianópolis recebe toda semana cerca de 40 reclamações contra taxistas. Para o secretário Vinicius Cofferi, a licitação que teve 437 interessados e deverá ser encerrada até o fim do ano, ajudará a suprir a demanda. Ao fim do processo, 210 novos táxis devem entrar em circulação. Como a cassação de 62 licenças — decisão tomada após a CPI dos Táxis na Câmara dos Vereadores, em 2013 —, a cidade passará a ter 619 veículos em circulação — média de 1 para 768 habitantes.

— Estamos investindo para tentar atrair o usuário e atender a demanda reprimida. O processo licitatório foca principalmente na qualidade do veículo. Também vamos fazer cursos de reciclagem para os taxistas — diz.

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Reclamação também entre os motoristas

As reclamações não são exclusividade dos clientes. Para o taxista Elbio Moura, um dos principais problemas é a péssima mobilidade urbana. Como passam muito tempo no volante, os taxistas seriam mais afetados pelo trânsito ruim e engarrafamentos. À frente de um táxi desde 2008, ele reclama também das jornadas de trabalho de 24 horas.

— Os próprios taxistas se maltratam com essas longas jornadas. O corpo não aguenta.

Outro ponto que contribui para a baixa qualidade do serviço é a alta rotatividade na profissão. De acordo com Moura, em muitos casos a pessoa só vai trabalhar como taxista quando não encontra nenhum outro serviço.

—  Nisso acabam destratando muitos clientes. Às vezes eu tenho de ouvir as reclamações dos passageiros e pedir desculpa em nome da categoria.

Sindicato contesta ampliação da frota 

Embora admita que existam casos pontuais de motoristas desrespeitosos, o Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Florianópolis considera bom o serviço prestado à população. A entidade também resiste à ampliação da frota. Para o presidente Zulmar de Faria, não há como suportar a entrada de mais do que 100 novos táxis.

— Aumentar muito a frota pode deixar os táxis vazios. Na temporada realmente precisa. Mas e quando termina? O cliente vai ser dividido.

O taxista Elbio Moura também é contrário à ampliação da frota. Segundo ele, há horários em que os taxistas fazem poucas corridas.

-— É só passar em qualquer ponto de táxi pela manhã para ver que tem sempre vários carros parados.

O mesmo tipo de relato é feito pelo presidente do Sindicato dos Taxistas de Itajaí. Para Luis Carlos Lapa da Silva, mesmo com a pior relação de táxi por habitante entre as grandes cidades do Estado, a situação financeira dos condutores é crítica e espelha um pouco do mau momento econômico vivido pelo país. Segundo ele, um estudo recente mostrou que apenas 7% da população usa o serviço no município.

-— Estamos trabalhando por centavos. Nem a Lei Seca nos ajudou a aumentar a clientela. O pessoal vai para festas ou bares e sempre tem um que não bebe para dirigir na volta. Está bem complicado.

DIÁRIO CATARINENSE
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