Food trucks ganham espaço e viram tendência de mercado em Santa Catarina Claudia Baartsch/Especial

Com pratos diferenciados, os food trucks começam a ganhar o público que procura refeições rápidas com qualidade elevada

Foto: Claudia Baartsch / Especial

Desde 2014, há inovação no mercado de comida de rua no Brasil: os food trucks, que têm o nome estrangeiro por terem berço nos Estados Unidos, são uma nova tendência, com seu auge nos últimos 12 meses. Embora parecido com os carrinhos de lanche, que já estão pelos centros urbanos há pelo menos duas décadas, eles têm uma proposta diferente e, por isso, serão regulamentados por uma nova legislação.

O crescimento dos food trucks em Joinville, por exemplo, pode ser percebido pela participação no Festival Food Truck, evento que ocorre neste feriadão de 10 a 12 de outubro na Expoville. Em maio, quando a primeira edição ocorreu, apenas um veículo joinvilense participou, enquanto outros estavam em fase de montagem. Cinco meses depois, o festival – que terá 40 carros de comida – já pode contar com dez restaurantes sobre rodas da cidade-sede.

Segundo a coordenadora de food trucks da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis, Juliana Silva, Santa Catarina conta atualmente com cerca de cem food trucks: no núcleo setorial de Florianópolis, há 41 operações registradas, mas há conhecimento de pelo menos mais 20 em funcionamento na Capital; no Vale do Itajaí, operam mais dez, mesmo número de integrantes na Associação de Food Trucks de Joinville (a cidade tem pelo menos mais dois carros não associados); Jaraguá do Sul tem oito, enquanto Blumenau e Lages também começam a fazer parte desta conta, em menor número.

– Os primeiros trucks de Santa Catarina foram montados para o The Food Truck Experience, em novembro de 2014. Foi a primeira experiência da região e foi quando se percebeu que era o momento de investir nesse mercado – afirma Juliana, proprietária do food truck Chez Jululi.

Festival Food Truck Joinville confirma 40 restaurantes e oferece workshops para empreendedores

Boa parte dos empreendedores deste mercado é de empresários que já atuavam na área, tanto proprietários de restaurante, quanto chefs ou professores de gastronomia. Uma parcela também é de novatos, que encontraram nesse ramo a oportunidade de não investir tão alto quanto em um restaurante em local fixo.

O segundo caso se aplica na experiência de Gabriel Caminha, Bryan Bogo, Raphael Watanabe e Thiago Gerent, quatro amigos na faixa dos 20 anos que, decididos a empreender em parceria, saíram na frente desse mercado em Joinville ao abrirem o Burguesia Food Truck.

– Começar a vida de empresário jovem é difícil, então a gente pensou num custo/benefício bom e que tivesse a ver com a formação de todos. Fomos para São Paulo ver se era isso que a gente queria mesmo, visitamos os food parks, e voltamos com muita vontade de fazer. Isso foi em fevereiro. Inauguramos em 22 de julho, durante o Festival de Dança, com 11 dias “na fogueira” – relata Gabriel.

Já o vice-presidente da Associação de Food Trucks de Joinville, Rogério Dioti, já tinha experiência como dono de restaurante, mas viu na área a oportunidade de testar um outro foco, o de massas, com o La Pasta Nostra.

– Para mim, era mais como uma perna institucional do restaurante, e uma experiência que a gente achava bacana. O food truck, além de ser um laboratório para o segmento de massas, seria mais interessante e mais fácil de chegar nas pessoas – avalia Dioti.

Clique e confira um mapa interativo do 2º Festival Food Truck Joinville

Febre atingiu seu auge

A criação dos food trucks e seu sucesso têm duas possíveis explicações. A primeira tem a ver com a vida contemporânea, que muitas vezes exige agilidade na hora da alimentação – não à toa seu surgimento ocorreu em Nova York – mas que também passa a demandar mais qualidade.

Mas o boom ocorreu mesmo depois de 2009, em grande parte por causa da crise financeira nos Estados Unidos, levando empresários e chefs a buscarem soluções para manter a profissão sem os gastos com estrutura, aluguéis e outras taxas. Talvez por isso, ao chegar ao Brasil, a impressão que se tem sobre essa tendência é que os produtos oferecidos precisam ser “gourmets”.

– Algumas pessoas dizem que é gourmet pelo processo final: preço, nome e apresentação. Eu acho que o que realmente importa são os insumos. É o que vai diferenciar dos ambulantes e também o que vai diferenciar, no futuro, os food trucks entre si. Nos Estados Unidos, por exemplo, você vai achar vários tipos de food truck: de café da manhã, sorvete, espetinho grego... Vai encontrar carros caindo aos pedaços e carros que servem comidas temáticas.

A coordenadora de food trucks da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis, Juliana Silvachama a atenção para a diversidade de opções que o público espera, principalmente em feiras e festivais.

– Você tem que se adaptar ao formato e saber como oferecer. Por exemplo, em São Paulo, há um food truck que serve coxinhas, mas com sabores e combinações diferentes. O público não vai querer ir até o seu truck para comer o que ele pode comprar na esquina de casa – avisa.

Ela acredita que, a partir de 2016, ao mesmo tempo em que o número de carros irá aumentar, eventos como o Festival Food Truck irão diminuir, tornando-se regionais. Atualmente, pela falta de opções — e pela ausência de legislação na maioria das cidades, impedindo que os food trucks possam atender diariamente em lugares públicos –, os empresários deste mercado estão viajando por Santa Catarina e para outros Estados para participar de eventos.

— Para o ano que vem, Joinville já deve ter carros suficientes para fazer eventos próprios, sem precisar chamar food trucks de outras cidades — diz Juliana.

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