Difícil encontrar algum defeito na proposta do Minha Casa Minha Vida. Como criticar um programa feito para propiciar o sonho da moradia própria a quem vive na pobreza — em alguns casos, na miséria? Dito isso, é forçoso admitir que ele é permeado por problemas. Muitos. A começar pela má qualidade das construções e pelas combinações fraudulentas na hora das licitações, como mostrou a série de reportagens Minha Casa, Minha Fraude, publicada em março deste ano por Zero Hora.

Mas o maior ninhal de irregularidades do programa é mesmo o de vendas e aluguéis irregulares, como mostra a reportagem e como também mostrou a Rádio Gaúcha, no início deste ano. A ocupação ilegal permeia os condomínios onde foram montados os 130 mil imóveis do Minha Casa no Rio Grande do Sul. E campeia Brasil afora.

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Com auxílio de câmera oculta e gravações, ZH comprovou que casas e apartamentos são vendidos a preço irrisório por pessoas que não hesitam em se livrar de um imóvel praticamente ganho do governo. Fazem isso à primeira oferta, sem piedade daqueles que enfrentam filas para tentar esse benefício. Para quem não sabe: os imóveis da Faixa 1 do programa (para os mais pobres) não podem ser vendidos antes de quitados na Caixa Econômica Federal. Mas são comercializados, inclusive em imobiliárias, como mostrou ZH. Outros são simplesmente invadidos por criminosos, algo comprovado também pela reportagem. E as autoridades federais custam a tomar providências. Dias atrás a CEF anunciou que vai retomar imóveis irregulares do Minha Casa — a inadimplência na Faixa 1 está em torno de 20%. E grande parte é porque foram invadidos ou vendidos ilegalmente.

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