As negociações para obter um rascunho de acordo para a luta contra as mudanças climáticas chegam ao último dia em situação difícil, com discussões cada vez mais dominadas por um confronto Norte-Sul.

A comunidade internacional deseja estabelecer como meta que a temperatura do planeta aumente no máximo 2 graus até 2050. Um acordo ambicioso, sem precedentes, foi elaborado, para que os países possam abandonar paulatinamente a dependência das energias fósseis, monitorar o cumprimento dos compromissos e financiar o apoio aos países mais vulneráveis.

Este último ponto, as ajudas, domina os debates nas últimas horas de negociação, com o chamado G77, que reúne 134 países em desenvolvimento e a China, em pé de guerra contra os países ricos.

Na cidade alemã de Bonn estão reunidas 195 partes (194 países mais a União Europeia). Os negociadores devem entregar um rascunho com opções claras a seus respectivos ministros na Conferência das Partes (COP21) sobre Mudanças Climáticas de Paris, que começará em 30 de novembro.

A França convidou os chefes de Estado e de Governo ao primeiro dia da COP21, para aumentar ainda mais a importância da reunião e aumentar a pressão.

Os negociadores em Bonn se dividiram na quinta-feira com posições antagônicas, após uma assembleia geral que deixou alguns delegados com os nervos à flor da pele.

Alguns países criticaram a situação e lembraram a reunião de Copenhague em 2009.

A comunidade internacional fracassou no encontro da capital da Dinamarca, que tinha como objetivo alcançar um acordo de luta contra o aquecimento global.

O texto do acordo, com mais de 30 páginas, foi dividido por temas na segunda-feira, por iniciativa dos copresidentes da fase de negociações, Argélia e Estados Unidos.

O G77, representado pela África do Sul, foi o grupo de países que forçou uma revisão do texto para incluir suas propostas.

Com o retorno ao texto redigido por Argélia e Estados Unidos, após três fases exaustivas de negociações, todas as delegações apresentaram emendas durante os debates.

Os oito grupos de trabalho apresentaram suas conclusões por escrito, repletas de parênteses, constatou a AFP.

O próprio G77 tem dificuldades para conciliar propostas internas e unificar as emendas.

Os delegados devem, a princípio, apresentar um rascunho completo do acordo, mas no momento não é possível saber se seria legalmente obrigatório.

"Temos uma espécie de texto recompilado no momento, que, se você observar de maneira positiva, contém muita substância que deve aparecer no acordo de Paris", disse à AFP Martin Kaiser, diretor de política de mudança climática do Greenpeace.

"Mas se você olhar pelo aspecto negativo, como procedimento, é um pesadelo", completou.

A dúvida agora é o tempo.

Os países signatários devem chegar a um acordo sobre um fundo anual de 100 bilhões de dólares, a partir de 2020, quando entraria em vigor o acordo de Paris, para ajudar os países mais vulneráveis a lutar e adaptar-se à mudança climática.

Para os países pobres, adaptar-se ao aquecimento do planeta é tão importante quanto combater o problema, pela falta de recursos. Mas outros Estados alegam que isto pode deixar a porta aberta para a negligência.

* AFP

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