Lobista afirma ter feito pagamento de R$ 2 milhões a uma nora de Lula HUGO VILLALOBOS/AFP PHOTO

Foto: HUGO VILLALOBOS / AFP PHOTO

Em delação premiada, o lobista Fernando Soares, conhecido como Baiano, afirmou ter feito pagamento de R$ 2 milhões que teria como destinatária uma nora do ex-presidente Lula. Segundo o delator, o pagamento foi feito a pedido de José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Baiano conta que o valor pago era referente a uma comissão a que Bumlai teria direito por incluir Lula em uma negociação para um contrato. Baiano era representante da empresa OSX, que tinha interesse em entrar na licitação para construir navios-­sonda para explorar o pré-sal.

Lula, FHC e Collor são investigados por suspeita de levar objetos do Planalto

Segundo Baiano, houve duas reuniões com a participação do ex-presidente. O delator disse que não participou dos encontros, mas que estiveram no local, além de Lula, Bumlai e o então presidente da Sete Brasil, empresa criada para construir as sondas para exploração do pré-sal pela Petrobras. Conforme Baiano, por ter ajudado a incluir o ex-presidente na negociação, Bumlai pediu um favor: disse que estava sendo cobrado por uma nora de Lula, que precisava pagar uma dívida, ou uma parcela de imóvel, e precisava de R$ 3 milhões. O lobista respondeu que poderia pagar apenas R$ 2 milhões.

Em depoimento voluntário, Lula nega tráfico de influência em favor da Odebrecht

Baiano também afirmou que entregou uma quantia entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em espécie no escritório de Eduardo Cunha, repasse que seria fruto de desvios da Petrobras. A informação foi divulgada nesta quinta-feira pelo Jornal Nacional.

Janot inclui delação de Baiano em denúncia no STF contra Cunha

Baiano é apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras. Cunha já é alvo de investigação por corrupção e lavagem de dinheiro decorrente desse caso. Neste processo, o lobista Júlio Camargo – que fez delação premiada – declarou que Cunha o pressionou, em 2011, por uma propina de US$ 5 milhões em contrato de construção de navios-sonda, equipamento usado na perfuração de poços de petróleo.
Segundo Baiano, o pagamento teria sido feito no escritório de Cunha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2011, e foi uma das parcelas da propina. O delator disse que a ordem partiu do próprio Cunha, que o orientou a deixar o dinheiro com uma pessoa chamada Altair.

* Zero Hora

 Veja também
 
 Comente essa história