Ministério Público (MP) e defesa vão recorrer da decisão que condenou Charline Evelise de Oliveira de Souza Salvador a 12 anos de prisão pela morte do marido em abril de 2009, em Blumenau. A intenção do MP é aumentar a pena da mulher que foi a júri popular quarta-feira. Do outro lado, o advogado da mulher pretende anular o júri e buscar a redução da pena. Enquanto isso, ela aguarda em liberdade o desfecho da decisão.

Para os jurados, Charline teve intenção de matar Mateus Salvador, 31 anos, no entanto, o advogado Honório Nichelatti Junior acredita que o tribunal do júri não teve o mesmo entendimento sobre as provas que a defesa. A ré foi condenada por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e utilização de meio cruel. O julgamento começou às 9h e teve duração de 12 horas sob o comando do juiz Juliano Rafael Bogo. Há prazo de cinco dias para que os recursos sejam feitos.

– Iremos recorrer da decisão pois ela foi contrária à prova dos autos – antecipa Nichelatti Junior.

O crime foi cometido em 21 de abril de 2009 e a mulher respondeu ao processo em liberdade por ter confessado o homicídio, ter bons antecedentes criminais, além de residência e emprego fixos. Ela não foi presa em flagrante, mas se apresentou na Delegacia de Polícia dois dias depois do crime. O promotor de Justiça Wagner Pires Kuroda foi o responsável pela acusação, auxiliado pelo advogado Christian Marlon Panini de Carvalho.

Homicídio por ciúmes
O motivo do crime teria sido uma traição do engenheiro mecânico Mateus, que levou golpes de faca nos pulsos e no coração. Antes de fugir, Charline foi à casa de um vizinho, entregou a chave da casa e disse que tinha feito uma besteira. Depois, teria embarcado em um Palio vermelho. O amigo foi até a residência na Itoupava Central e encontrou o corpo de Mateus caído no chão da cozinha. A faca usada no crime, com 15 centímetros de lâmina, estava sobre a mesa da sala de estar.

Em depoimento à polícia, pessoas ligadas ao casal relataram que Mateus tinha um relacionamento extraconjugal e pretendia se separar de Charline. O engenheiro teria comentado com um amigo que temia ser agredido pela mulher e por isso teria passado a dormir em quarto separado. Na época, Charline tinha 25 anos.

JORNAL DE SANTA CATARINA
 Veja também
 
 Comente essa história