O presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif - em visita à Casa Branca - pediram nesta quinta-feira que os talibãs retornem à mesa de diálogo com o governo afegão.

Os dois chefes de Estado "pediram aos líderes talibãs que empreendam negociações diretas com Cabul e trabalhem com vistas a um acordo de paz sustentável", em uma declaração conjunta emitida após encontro na sede do Executivo americano.

Os Estados Unidos consideram que o Paquistão pode influenciar, especialmente, o novo líder talibã, o mulá Ajtar Mansur, considerado próximo ao governo de Islamabad.

Alguns funcionários americanos acreditam que até agora o Paquistão não fez o suficiente para persuadir o grupo a abrir mão da violência.

Na semana passada, Obama admitiu que 9.800 homens americanos que estão no Afeganistão permanecerão no pais por mais tempo do que tinha tinha prometido.

A Casa Branca está disposta a levar os talibãs novamente à mesa de negociações, depois de uma primeira rodada que terminou em um beco sem saída.

Um ressurgimento das atividades do grupo islamita os levou a tomar o controle da cidade de Kunduz (norte) durante três dias no fim de setembro.

Cabul acusa Islamabad de abrigar e abastecer a insurgência talibã, permitindo-lhe lançar ataques para o Afeganistão do outro lado da fronteira.

Recentemente, Obama afirmou que se propõe a "pedir a todas as partes na região para convencer os talibãs a voltarem às conversações de paz".

Uma relação turbulenta

Durante seu encontro, nesta quinta-feira, na Casa Branca, Obama e Sharif ressaltaram o lado positivo de sua aliança turbulenta, apesar dos desacordos na área de segurança.

Entre sorrisos e cumprimentos, Obama deu as boas-vindas a Sharif na Casa Branca e clamou por uma "relação de longo fôlego" entre os Estados Unidos e o Paquistão.

"Trabalhamos e cooperamos em muitos temas, não só no tema da segurança, mas também em assuntos econômicos, científicos e educacionais", disse Obama no início da sessão.

Mas a portas fechadas, os funcionários disseram que a preocupação com a segurança a longo prazo foi a dominante.

Os vínculos de Islamabad com os talibãs afegãos, o apoio aos grupos terroristas que apontam para a Índia e os Estados Unidos e o crescente arsenal nuclear paquistanês são, para Washington, uma grande dor de cabeça na questão da segurança.

A relação entre os Estados Unidos e Islamabad, baseada em uma interdependência e temperada pela desconfiança mútua, tem sido turbulenta.

Os laços bilaterais sofreram uma crise profunda quando se descobriu que o líder dos ataques de 11 de setembro de 2011, Osama bin Laden, vivia aquartelado em uma cidade paquistanesa.

Apesar dos esforços de Sharif em compor a relação, funcionários americanos veem poucas mudanças na atitude dos poderosos serviços de segurança paquistaneses.

Em uma demonstração deste poder, a visita de Sharif será seguida da chegada aos Estados Unidos de Rizwan Akhtar, chefe dos serviços de inteligência do Paquistão, e depois do chefe de estado-maior do Exército, Raheel Sharif.

"Os Estados Unidos simplesmente perderam a paciência depois de muitos anos fornecendo armas e dinheiro aos militares paquistaneses, e os paquistaneses simplesmente não fizeram o que os Estados Unidos pediram repetidamente em termos de adotar mão de ferro com os militantes", disse Michael Kugelman, do Centro Woodrow Wilson.

Mas o Paquistão continua sendo um player central na região.

Os Estados Unidos consideram o país um dos poucos com influência junto aos extremistas e os analistas dizem que Washington usará esta visita de quatro dias para pedir ao premiê Sharif que continue tentando uma nova rodada de conversações.

Especialistas sustentam que o novo líder talibã Akhtar Mansur tem fortes laços com o Paquistão.

Paralelamente ao encontro desta quinta-feira, o congressista republicano e pré-candidato do partido à Casa Branca, Marco Rubio declarou, em um comunicado, que "o Paquistão deve cumprir suas obrigações a negar acolhida a todos os grupos terroristas" e adotar medidas contra aqueles que lhes dão apoio.

A ajuda para a segurança que Washington "dá deve estar condicionada às ações de Paquistão contra os militantes (de grupos) que buscam desestabilizar Afeganistão e ameaçar os Estados Unidos", afirmou o congressista de origem cubana.

* AFP

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