"Perdemos tudo, mas estamos vivos", conta moradora da Nova Rússia Maristela Pedrelli/Divulgação

Antes e depois do Recanto do Willy, na Nova Rússia, em Blumenau

Foto: Maristela Pedrelli / Divulgação

O dia de chuva intensa e a cheia do rio Itajaí-Açu já haviam deixado os moradores da Nova Rússia em alerta, mas eles nem poderiam imaginar o que aconteceria durante a madrugada desta sexta-feira. Quando a noite chegou no pacato e silencioso recanto de Blumenau, o barulho das pedras deslizando no morro que circunda a localidade quebrou o silêncio.

— A gente percebeu que começou a fazer mais barulho e mais barulho. Só deu tempo de sair correndo com a roupa do corpo. Eram umas duas horas da madrugada — conta a sobrevivente Irene Willemann Wendelich, 57 anos, moradora do Rancho do Willy, local popular entre ciclistas e visitantes na região.

Irene, o marido Willy, a família do filho e outros 10 moradores daquele trecho da Rua Santa Maria, onde houve o deslizamento, saíram ilesos, mas apenas com a roupa do corpo. De acordo com a Defesa Civil, as três casas foram soterradas, mas ninguém se feriu. Perderam documentos, pertences, memórias, casa, tudo.



Por telefone e na casa de outro filho, Irene conta que em todos os anos em que morou no local jamais havia passado por situação semelhante, nem mesmo na enchente de 2008, quando a cidade registrou diversos deslizamentos.

Perdemos tudo, mas estamos vivos. Nunca vi uma coisa tão triste, agora o rio está passando na frente da nossa casa. Todo o nosso terreno foi atingido, não existe mais nada — lamenta.

Foi através do auxílio de uma antena externa que os moradores conseguiram pedir socorro via rádio para os bombeiros. Todos foram retirados por terra, depois que o nível do rio em uma das pontes do local baixou. Em segurança, todos estão na casa de amigos e parentes.

Moradores já haviam passado por treinamento

De acordo com o secretário de Defesa do Cidadão, Marcelo Schrubbe, as famílias da região da Nova Rússia já haviam passado por um treinamento sobre rotas de fuga e análise de risco após as chuvas de 2011, que também afetaram o local.

— Não há muito o que ser feito para conter a força da terra ali, mas equipes da Geologia estão fazendo uma nova análise para avaliar o risco. A família conseguiu se salvar essa noite porque sabia os procedimentos de segurança — ressalta Schrubbe.

No começo da tarde desta sexta a Defesa Civil liberou o local para que os moradores voltassem para buscar seus pertences, mas o acesso à Nova Rússia segue fechado para carros.

Família precisa de ajuda

Irene precisa de colchões, alimentos, produtos de limpeza e de higiene, mas principalmente de água. As doações podem ser feitas na última casa da Rua Marilândia, uma transversal da Rua Guarapari, no bairro Progresso.

Informe-se
Acompanhe os dados atualizados do nível do rio pelo Sistema de Monitoramento e Alerta de Eventos Extremos de Blumenau (Alertablu). Confira aqui o nível do rio Itajaí-Açu na cidade.

Fique alerta: veja aqui a lista de cotas de enchente para cada rua de Blumenau.

JORNAL DE SANTA CATARINA
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