Petrobras bloqueou 32 empresas devido às investigações da Lava-Jato, diz Bendine Valter Campanato/Agência Brasil

Depoente Aldemir Bendine, presidente da Petrobras

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou nesta quarta-feira, em depoimento à CPI na Câmara dos Deputados, que 32 empresas foram bloqueadas cautelarmente no trabalho com a companhia devido às investigações da Operação Lava-Jato. Por isso, acrescentou, a Petrobras está revendo a situação cadastral de todos os seus fornecedores.

— Vamos submeter 12 mil empresas a um novo modelo de relação com fornecedores, que pressupõe avaliação de idoneidade. Cerca de 2 mil fornecedores já passaram por esse processo de integridade desde agosto — relatou.

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Segundo ele, os processo adotados pela companhia permitirão à Petrobras ter uma transparência maior junto a seus funcionários e à sociedade.

— Qualquer denúncia será investigada, e se comprovada será punida. Todo e qualquer achado sobre esse tema são repassados para autoridades para que possam apurar qualquer tipo de mal feito ali encontrado — completou.

Bendine frisou que a Petrobras é vítima do escândalo de corrupção.

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— A empresa ainda é o principal player de um ciclo virtuoso da economia brasileira. Apesar dos problemas, a Petrobras ainda mantém um nível significativo de investimentos, mesmo que muito menor que o de anos anteriores. Este ano os investimentos devem ficar entre US$ 25 bilhões e US$ 27 bilhões, quase R$ 100 bilhões — afirmou.

Desinvestimento

O presidente da Petrobras destacou também que o desinvestimento da companhia faz parte de um ciclo do mercado mundial de petróleo, e não apenas da empresa.

— Outras petrolíferas também têm feito isso. Lógico que temos que dosar isso com maior força por conta da dívida. A Petrobras reduziu em 30% os investimentos este ano, e a média de outras companhias do setor tem sido de 20% — afirmou ele à CPI.

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Bendine citou que a Petrobras tem capacidade de produzir petróleo por 19 anos sem novas descobertas.

— Isso coloca a Petrobras em uma das melhores posições no mundo. Podemos privilegiar a produção, mas sem abandonar a exploração, é claro — completou.

Ele se comprometeu a cumprir a nova meta de produção de 2,8 milhões de barris de petróleo por dia. A anterior era de 4 milhões de barris por dia.

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Prioridades

Bendine listou quatro pontos vitais para a recuperação da empresa e o enfrentamento dos desafios com o preço baixo do barril de petróleo e a dívida acima da meta.

— Estamos priorizando os investimentos, com 82% do total, na área de produção e exploração de petróleo, que é a principal atividade da empresa — afirmou.

Em segundo lugar, ele disse que a Petrobras está trabalhando na redução de gastos operacionais. O terceiro ponto citado por Bendine é redução da dívida e a garantia da financiabilidade da empresa. Por fim, o presidente da Petrobras destacou medidas para a melhoria da gestão e da governança na empresa.

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— O modelo anterior não foi suficiente para se evitar essa situação de escândalo. Propomos então um modelo mais blindando, mais seguro, que privilegie decisões colegiadas e não pessoais. Atacamos um problema que está na raiz da Lava-Jato, que eram decisões pessoais na empresa — avaliou.

*Estadão Conteúdo

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