Polícia busca imagens para identificar autores do assassinato de haitiano em Navegantes Divulgação/Polícia Civil de Navegantes

Fetiere Sterlin foi morto em frente à uma casa no bairro Nossa Senhora das Graças

Foto: Divulgação / Polícia Civil de Navegantes

A Polícia Civil tenta conseguir imagens de uma câmera de segurança que pode ter registrado o assassinato do haitiano Fetiere Sterlin, 33 anos, no último sábado, em Navegantes. O equipamento estava instalado em uma casa próximo ao local do crime e foi encaminhado para avaliação de um técnico. O delegado responsável pela investigação, Rodrigo Coronha, afirma que policiais estão fazendo diligências para encontrar novas testemunhas.

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O caso vem sendo tratado como prioridade na delegacia. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República também pediu um relatório sobre o crime e as ações que estão sendo feitas pela polícia. De acordo com Coronha, a principal suspeita para a motivação do assassinato continua sendo crime de ódio.

— Acredito que os agressores tinham a intenção de matar. Foi um motivo torpe, repugnante e que tomou grande proporção — avalia.

O delegado já ouviu algumas testemunhas e dois adolescentes suspeitos de estarem envolvidos. Um deles, de 16 anos, teve um ferimento no joelho em função de uma briga no mesmo bairro onde Sterlin foi morto. O jovem foi reconhecido pela esposa do haitiano, Vanessa Nery Pantoja, mas negou ter participado da ação. Os dois não tinham antecedentes criminais, porém seus depoimentos foram considerados contraditórios pela polícia.

Coronha acredita que a maioria dos agressores seja adolescente. Por esse motivo, o crime pode ter tomado proporções maiores. Conforme o delegado, nenhum caso envolvendo crimes de ódio havia sido registrado na cidade até o momento.

Em janeiro do ano passado, o haitiano Claude Gustave foi vítima de uma tentativa de homicídio no bairro Porto das Balsas. O inquérito concluiu que dois adolescentes dispararam cinco vezes contra Gustave a mando de um traficante, pois o haitiano teria paquerado sua namorada. O jovem foi embora do país após o crime.

— Percebo que eles sofrem certo preconceito na nossa região. Os vizinhos reclamam bastante de barulho, mas não costumam trazer problemas para a delegacia — relata.

A polícia ainda está identificando algumas das vítimas que estavam com Sterlin. Segundo Coronha, os haitianos estão com receio de prestar depoimento.

Caso isolado

Para o coordenador do curso de Relações Internacionais da Univali, Jorge Hector Morella Junior, o suposto crime de ódio envolvendo o assassinato do haitiano Fetiere Sterlin foi um caso isolado de violência. O professor, que conduz uma pesquisa com a comunidade haitiana na região da Amfri (Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí), afirma que nunca ouviu relatos de preconceito contra os imigrantes.

— Nas pesquisas, eles (haitianos) ressaltam muito a receptividade do povo brasileiro, como gostam do país e como se sentem acolhidos aqui. O caso ainda está sendo investigado, mas se for confirmado acredito que foi algo isolado — avalia.

Segundo Morella, Santa Catarina é um dos Estados que mais recebe haitianos no país — o professor estima que entre sete e oito mil imigrantes do Haiti estejam por aqui.

— Como a nossa sociedade é pluricultural essa situação causa estranheza. A nossa região é muito aberta, recebe pessoas de diversos locais do país e do mundo. Não vejo motivo aparente para essa violência — acrescenta.

O SOL DIÁRIO
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