Produção de leite em Santa Catarina cresceu 191% de 2000 a 2013 Sirli Freitas/Especial

Expoeste terá exposição de animais em Chapecó

Foto: Sirli Freitas / Especial

Santa Catarina é hoje o Estado que mais cresce na produção de leite no país. Um levantamento feito pelo Centro de Socieconomia e Planejamento Agrícola de Santa Catarina (Cepa/Epagri) aponta que o avanço da atividade em território catarinense foi de 191% de 2000 a 2013.

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O engenheiro agrônomo e analista de mercado da Epagri Tabajara Marcondes foi responsável pelo estudo e afirma que, no mesmo período, a região Sul cresceu 140% e a produção nacional 73%. Ou seja, a produção catarinense avançou 2,6 vezes mais do que a brasileira. No mundo, o aumento foi de 28%.



O ganho de produtividade permitiu que o Brasil — e também Santa Catarina — deixasse de ser um importador de lácteos para atingir a autossuficiência. Agora, os produtores passam a mirar o mercado externo como uma alternativa. Atualmente, menos de 2% da produção é exportada para países como Venezuela e Angola. Mas há potencial de crescimento.

O plano do governo federal para impulsionar as exportações de leite, batizado de Programa Leite Sustentável, será debatido na Expoeste, feira que inicia hoje, no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó. Um dos destaques é a exposição de animais e concurso leiteiro. Segundo o organizador Auro Antônio Pinto, haverá 1,6 mil animais da feira.

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Nos últimos dois meses, a China e a Rússia, anunciaram a abertura de mercado para o leite em pó do Brasil. A China importa US$ 6,4 bilhões por ano. Já a Rússia importa US$ 3,4 bilhões de leite. O Ministério da Agricultura tem expectativa a médio prazo de vender US$ 45 milhões de lácteos por ano para o país.

Programa de venda para o exterior irá beneficiar 15 mil

Em Santa Catarina, a expectativa é que o Programa Leite Sustentável beneficie 15 mil produtores, de 57 municípios. Conforme o secretário-adjunto de Agricultura do Estado, Airton Spies, que neste mês assume a coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira, o objetivo é dar competitividade internacional dos três Estados:

— Queremos que o leite tenha o mesmo patamar de qualidade que alcançamos com suínos e aves.

Spies diz que o Estado já tem uma boa capacidade industrial, de 10 milhões de litros por dia, acima da produção, que está em 8 milhões por dia. Algumas plantas já estão habilitadas para exportação. A Aurora, por exemplo, exportou pequenos volumes para a Venezuela, mas via outras empresas.

— Vai ser uma nova era para o leite — diz Marcos Zordan, diretor agropecuário da Aurora.

A unidade de Pinhalzinho, que industrializa 1,5 milhão de litros de leite por dia, já está habilitada para a Venezuela e Cuba. A Aurora aguarda agora a visita de técnicos da China e Rússia para iniciar tratativas.

Fórum do agronegócio

A RBS TV promove no primeiro dia da Expoeste o Fórum Catarinense do Agronegócio, das 14h30 às 18 horas, no Pavilhão 3 do Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó.  O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, falará sobre os números do agronegócio, suas perspectivas e desafios. Depois haverá um painel de debates com o presidente da Cidasc, Enori Barbieri, o presidente da Aurora, Mário Lanznaster, o presidente da Ocesc, Marcos Zordan e o presidente da Cooperalfa, Romeo Bet. A correspondente da RBS em Brasília, Carolina Bahia, vai apresentar o evento.

A Expoeste surgiu como substituta para a Efapi, que acabou sendo cancelada pela Prefeitura, em virtude da queda de receita do município. Mesmo assim a feira tem 195 expositores e a expectativa é de R$ 20 milhões em negócios.

DIÁRIO CATARINENSE
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