Quem é o novo ministro da Ciência e Tecnologia Nilson Bastian/Câmara dos Deputados,Divulgação

O peemedebista Celso Pansera é natural de São Valentim, no norte do Rio Grande do Sul

Foto: Nilson Bastian / Câmara dos Deputados,Divulgação

O novo ministro da Ciência e Tecnologia é professor de português e gremista. Teve um restaurante chamado Barganha, foi marxista, militou no PT, ajudou a fundar o PSTU, passou por PSB e se elegeu deputado federal pelo PMDB do Rio de Janeiro. E ganhou notoriedade ao ser chamado por Alberto Youssef de "pau mandado" de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Gaúcho de São Valentim, Celso Pansera construiu na baixada fluminense a carreira política que aos 52 anos lhe coloca no primeiro escalão federal. Entra na Esplanada para estreitar os laços do PMDB do Rio de Janeiro com o Planalto.

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Foi a missão que valeu ao deputado de primeiro mandato, ainda com trânsito reduzido na bancada, a indicação dos colegas. Entre os padrinhos figuram o líder Leonardo Picciani (RJ) e o governador fluminense Luiz Fernando Pezão, que recomendou o novo ministro a Dilma Rousseff.

– É um sujeito discreto e simpático, um gringão – descreve o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS).

Colegas dizem que Pansera foi colocado na CPI da Petrobras para ajudar a blindar Cunha das acusações na Lava-Jato. Apresentou requerimentos com pedidos de quebra de sigilos fiscais e bancários da família de Youssef, que o chamou de "pau mandado" do presidente da Câmara. O ministro rebate:

– Muitos envolvidos na Lava-Jato usaram a família para ocultar negócios. Ninguém manda ser bandido, a culpa não é minha se ele foi preso.

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Até estrelar a desavença com Youssef, Pansera percorreu um caminho que se iniciou no interior gaúcho. Quarto dos seis filhos de uma família de pequenos agricultores e comerciantes, nasceu em um distrito de São Valentim, onde hoje fica o município de Entre Rios do Sul.

Ingressou no movimento estudantil na década de 1980 pela porta da esquerda, dentro da corrente petista Convergência Socialista. Em Porto Alegre, fez campanha para Olívio Dutra e se elegeu para direção da União Nacional dos Estudantes (UNE).

– Ele era de um grupo com discurso contra o imperialismo e a privatização das universidades – recorda Claudio Langone, ex-presidente da UNE.

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Aos 26 anos, em 1989, Pansera chegou ao Rio e não voltou. Tornou-se "Panséra", como pronunciam os fluminenses. Formou-se em Letras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e descobriu o mundo do samba. Ontem, após a confirmação na Esplanada, presidentes de escolas de samba ligavam para lhe dar os parabéns.

No Rio, o gaúcho deixou o PT e ajudou a fundar o PSTU, que abandonou quando o partido decidiu não apoiar a candidatura de Lula à Presidência em 2002. Entrou no PSB e estreitou o laço com o Alexandre Cardoso, ex-deputado e atual prefeito de Duque de Caxias, onde vive o novo ministro. A aproximação com o PMDB se iniciou na campanha ao governo do Rio de 2006, com apoio do PSB a Sergio Cabral.

Uma vez no governo, Pansera presidiu a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). Como o o PSB lançou Eduardo Campos pré-candidato à presidência, em 2013, ele e Cardoso entraram no PMDB de Cabral, Pezão, Cunha e Picciani.

– Ele se aproximou de pessoas que sabem ganhar dinheiro, que têm ciência e tecnologia para isso – ironiza o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

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Depois das trocas de partido, o novo ministro se considera um "nacionalista de centro". Garante que se elegeu sem padrinho, pelo trabalho em comunidades. Todos os sábados, Pansera dá aulas de português, literatura e redação em um cursinho pré-vestibular para para jovens carentes em Belford Roxo.

Na eleição, fez 58,5 mil votos, declarou à Justiça Eleitoral R$ 575 mil em bens, sua campanha custou R$ 1,2 milhão, sendo que colocou R$ 200 mil do próprio bolso e contou com outros R$ 700 mil de uma empresa de refrigerantes. Como ministro, garante estar pronto para o novo trabalho:

– Vou seguir o trabalho de Aldo Rebelo, ouvir a comunidade acadêmica e a presidente Dilma.

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