Os três principais candidatos à presidência da Argentina encerraram nesta quinta-feira suas campanhas, com o governista Daniel Scioli prometendo reduzir impostos sobre os trabalhadores e seus adversários Mauricio Macri e Sergio Massa pedindo um país livre do "kirchnerismo".

Scioli prometeu uma ampla isenção do imposto sobre os salários de trabalhadores e aposentados que ganham o equivalente a até 3.000 dólares.

"Vamos modificar o imposto de renda. Um trabalhador ou aposentado que ganhe menos de 30 mil pesos líquidos não vai pagar mais este imposto", disse Scioli em um comício no estádio Luna Park de Buenos Aires.

Scioli revelou que o limite para a cobrança do imposto será atualizado em sintonia com o aumento das aposentadorias.

O imposto, que já motivou ao menos duas greves gerais na Argentina no último ano, é cobrado sobre quem ganha acima de 15.000 pesos (1.500 dólares).

Segundo Scioli, "esta proposta beneficiará 577.400 trabalhadores e aposentados que deixarão de pagar o imposto definitivamente".

Atualmente, um milhão de trabalhadores paga o imposto sobre o salário, sobre um total dez milhões de trabalhadores registrados e quatro milhões de informais.

O empresário Mauricio Macri, prefeito de direita de Buenos Aires, fez seu último comício em Córdoba, 700 km a noroeste da capital: "Estamos a horas, a dias, de mudar a história com nosso voto".

"Aos que fizeram outra opção antes, lhes peço com humildade, com responsabilidade, que nos sigam. Sim, nós podemos" - disse copiando o slogan de campanha do presidente americano, Barack Obama.

Massa, candidato peronista de centro direita pela Frente Renovadora, afirmou em Tigre (30 km da capital) que "estamos abrindo as portas para um segundo turno", em referência a redução da vantagem de Scioli e a uma eventual eleição no dia 22 de novembro.

Na Argentina, um candidato presidencial ganha no primeiro turno se tiver mais de 45% dos votos, ou se superar 40% e ficar a mais de 10 pontos à frente do segundo colocado.

Scioli lidera as pesquisa de intenção de voto, mas em nenhum caso chega aos 45%. Ele aparece com intenções de voto entre 38% e 42%. Com a margem de erro de dois ponto não se sabe se ele conseguirá evitar o segundo turno.

Algumas pesquisas indicam que Scioli tem uma distância de mais de dez pontos sobre Macri e Massa.

Durante a campanha, Scioli, da Frente para a Vitória (FPV), anunciou a maior parte de seu gabinete e se esforçou para aparecer como o candidato que "não fará surpresas".

Macri, líder da aliança Cambiemos (Mudemos), bateu nas teclas da "mudança, diversidade e união" para romper com a "divisão do kirchnerismo".

Massa, ex-ministro de Kirchner e que passou à oposição em 2013, fez da segurança e do combate ao tráfico de drogas seus cavalos de batalha, mas foi abandono no último momento por vários aliados, que passaram para o lado de Scioli.

Há ainda três candidatos - sem chances - à presidência: Margarita Stolbizer, progressista de centro esquerda, Adolfo Rodríguez Saa, peronista conservador, e Nicolás del Caño, trotskista da Frente de Esquerda.

* AFP

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