Uma ausência deve marcar a disputa pela prefeitura de Joinville em 2016. Passados 40 anos da primeira eleição de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) para o comando da cidade mais populosa do Estado, em 1976, a morte do ex-governador tira do tabuleiro seu principal jogador.

2012: Com 54,65% dos votos, Udo Döhler é eleito prefeito de Joinville

Além de vencer três vezes a disputa, LHS foi também responsável direto pelas vitórias de Wittich Freitag em 1982, Marco Tebaldi em 2004 e do atual prefeito, Udo Döhler (PMDB), em 2012.

Sem a popularidade e a articulação do senador peemedebista falecido em maio deste ano, a eleição joinvilense deve ser marcada pela busca de protagonismo por lideranças quase sempre ofuscadas por ele. Sozinho, mas com maior controle sobre o PMDB local, Udo Döhler manterá o discurso que o elegeu, trazendo a experiência como empresário para a gestão pública.

Escorado nesse discurso deve justificar as promessas que campanha que não conseguiu levar adiante, como a pavimentação de 300 quilômetros de vias públicas e as dificuldades na área de saúde – principal tema da última eleição.

— Tivemos que fazer opções e não vamos nos afastar delas. Houve forte investimento em educação e estamos aplicando 37% da arrecadação em saúde, quando a obrigação constitucional é 15% — afirma o prefeito.

O principal adversário deverá ser, como em 2012, o PSD. Na época, Döhler conseguiu uma virada apontada como improvável contra o deputado estadual Kennedy Nunes (PSD). Desta vez, o oponente deve ser Darci de Matos. A troca foi acertada entre os pessedistas e envolveu a votação de ambos em 2014 para a Assembleia Legislativa, quando Darci teve melhor desempenho em Joinville. Para enfrentar o peemedebista, Darci vai alvejar o principal seu principal atributo: a fama de bom gestor.

— O prefeito é uma pessoa bem-intencionada, mas as coisas não andaram. Ele teve três secretários de saúde em dois anos e meio, isso é problema de gestão — provoca Matos.

Carlito Merss (PT) deve entrar na disputa. Na briga pela reeleição, em 2012, passou a campanha inteira tentando reverter a cassação sob a acusação de ter se excedido nos gastos com publicidade no ano pré-eleitoral. Só conseguiu a absolvição após as eleições.


Disputas que marcaram

1992
Em uma disputa voto a voto, os então ex-prefeitos Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e Wittich Freitag (PFL), ex-aliados, se enfrentaram pela prefeitura. Apenas 5,6 mil votos deram a vantagem ao pefelista. Quatro anos depois, Luiz Henrique seria eleito com o apoio do próprio Freitag, iniciando uma parceria com o PFL que reproduziria como governador do Estado em 2006.

2004
Depois de herdar o mandato de Luiz Henrique, eleito governador em 2004, Marco Tebaldi (PSDB) venceu a disputa em primeiro turno contra Carlito Merss (PT) e Kennedy Nunes (PP). Hoje Tebaldi é deputado federal e Kennedy está na Assembleia.

2008
Na quinta tentativa de chegar a prefeitura, o então deputado federal Carlito Merss conseguiu levar o PT pela primeira vez ao comando da cidade, vencendo o segundo turno contra o deputado estadual Darci de Matos (DEM). O fato curioso da eleição foi a candidatura do deputado federal Mauro Mariani (PMDB), um ano depois de transferir o título eleitoral de Rio Negrinho para Joinville em uma articulação de LHS. Ficou em quarto lugar.

2012
Na última articulação política de Luiz Henrique, o empresário Udo Döhler filiou-se ao PMDB para disputar a prefeitura e venceu a disputa no segundo turno contra Kennedy Nunes (PSD) em uma virada que parecia improvável. 

DIÁRIO CATARINENSE
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