Transbordamento do Rio Itajaí-Mirim deixa mais de 20 famílias desalojadas em Itajaí Marcos Porto/Agencia RBS

No bairro Limoeiro pelo menos 13 casas ficaram embaixo d'água

Foto: Marcos Porto / Agencia RBS

O transbordamento do Rio Itajaí-Mirim provocou estragos e deixou mais de 20 famílias desalojadas nesta quinta-feira em Itajaí. A água chegou rápido. No início da madrugada, invadiu as casas e tirou o sono de muita gente, que passou a noite levantando os móveis. O bairro Limoeiro, no limite com Brusque, foi o mais atingido pela cheia e registrou pelo menos 13 casas afetadas.

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Apesar de algumas pessoas se recusarem a sair do local, a Defesa Civil de Brusque conseguiu encaminhar para o abrigo do Sesi aproximadamente 17 moradores, a maioria mulheres e crianças. Outras sete pessoas ficaram desalojadas após a enchente atingir a Rua Ananias Caetano da Silva, no bairro Murta. Elas foram conduzidas ao abrigo da Igreja São Cristóvão, no Cordeiros.

A Defesa Civil de Itajaí também registrou cinco deslizamentos de terra nesta quinta-feira. Três deles ocorreram na Rua Venezuela, no bairro Fazenda, um na encosta do Morro da Cruz, na Univali, e o mais grave na Rua Rosalina Linhares Cabral, bairro Praia Brava. No local, uma casa foi parcialmente interditada e os moradores foram para a residência de parentes.

 Transbordamento do Rio Itajaí-Mirim causa estragos em Itajaí
Foto: Marcos Porto / Agência RBS | Costureira Inês ajuda o marido a tirar os móveis


Água invadiu casas rápido

Sentado ao lado de três casas atingidas pela enchente do Itajaí-Mirim, o operador de máquinas Jubert Celino Eneas Cruz diz que conseguiu tirar pouca coisa de dentro do imóvel. Quando a água invadiu a moradia ele estava trabalhando. Salvou apenas algumas roupas, fogão, geladeira e televisão. Há cinco anos morando no bairro Limoeiro, conta que já havia perdido tudo na cheia em 2011 e que dessa vez o aviso da Defesa chegou cedo.

— Mesmo assim foi muito rápido, quando eram 2h já começou a subir. Agora não posso deixar minha casa sozinha, se eu for para um abrigo quando voltar não sobra nada. Eles levam até a cortina da janela — afirma, se referindo aos furtos.

Com o mesmo receio, a dona de casa Suzane Duarte da Silva Lourenço explica que vai permanecer em casa o quanto for possível. Ela relata que se deixar o imóvel corre o risco de perder todas as coisas. Os filhos pequenos foram levados para a residência da irmã, próximo à rodovia Antonio Heil.

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Por outro lado, tem quem queira distância do rio após a enchente. Enquanto terminava de retirar as coisas da casa invadida pela água, a costureira Inês Franciele Rodrigues disse que já pensa em uma nova moradia. Essa foi a primeira vez que a paranaense, o marido e o filho precisaram enfrentar a força das águas.

— Quando foi umas 2h a água já estava pelo joelho. Agora vamos buscar outro local para morar. Passamos a noite toda retirando as coisas, mas pelo menos conseguimos salvar tudo — comenta.

 Transbordamento do Rio Itajaí-Mirim causa estragos em Itajaí
Foto: Marcos Porto / Agência RBS | Pátio da casa de dona Marlene ficou lotado


Solidariedade

Acostumada a auxiliar os moradores do Limoeiro quando ocorrem cheias, dona Marlene Agostinho cedeu a garagem de casa e o primeiro piso para que a comunidade colocasse os pertences que conseguiu salvar. Contando por cima, havia mais de seis geladeiras no pátio, além de fogões, televisores, guarda-roupas, colchões, máquinas de lavar, sofás e outros móveis.

— Em todas as enchentes eu ajudo, acho que já foram quase 10 cheias. Em 2011, a água chegou a invadir minha casa também — lembra.

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