Gestão de Valor: superintendente da Portonave defende a valorização dos colaboradores em busca do reconhecimento internacional Edu Cavalcanti/Especial

Osmari de Castilho Ribas, diretor-superintendente administrativo da Portonave S/A

Foto: Edu Cavalcanti / Especial

Quando se fala no complexo portuário do Vale do Itajaí, um erro comum é acreditar que foi o Porto de Itajaí, público, que levou a região ao posto de segunda com maior movimentação de contêineres no país. Na verdade, a responsável é uma estrutura que está do outro lado do Itajaí-Açu, em Navegantes. Desde que surgiu e começou a operar, em 2007, a Portonave foi o primeiro porto privado do país. Aos poucos, ultrapassou o concorrente estadual e agora está consolidado como o principal canal de importação e exportação dos produtos do Estado. Nesta entrevista, o diretor-superintendente administrativo, Osmari de Castilho Ribas, reforça que a ambição da Portonave é ser reconhecida como um dos melhores portos do mundo. Um dos pilares para alcançar o objetivo são os 1,3 mil profissionais.

Diário Catarinense – O Estado tem cinco portos, fato único no país. Como é ter tanta concorrência?
Osmari de Castilho Ribas –
É bom para o país e para a empresa. O segmento portuário tem muito a evoluir e a concorrência ajuda nesse processo. Claro que todos ficamos muito atentos, mas o potencial que Santa Catarina tem de resolver as condições de logística passa muito pela adequação desses terminais portuários. Uma costa com boa condição geográfica para implantação, uma indústria que requer a busca de matérias-primas e a exportação de produtos acabados mostra que o Estado, embora tenha um território pequeno, é muito expressivo.

DC – Mas o Estado aproveita integralmente esse potencial que tem para o comércio exterior?
Ribas –
Acho que ainda tem muito espaço para crescer. Nós temos hoje uma boa condição de empresas já exportando. Mas o Estado precisa cada vez mais se voltar para o mercado externo. Dessa forma, vamos conseguir evoluir de maneira muito mais rápida, ajudando Santa Catarina a crescer. Mesmo assim, no segmento de contêineres, hoje é o segundo maior movimentador do país. Perde apenas para São Paulo, por conta da proximidade com o mercado e da estrutura do Porto de Santos.

DC – Diferente de outros portos, a Portonave optou por ter todos os trabalhadores com carteira assinada, vinculados à empresa. Por que essa decisão?
Ribas –
Acreditamos que esses trabalhadores vinculados à empresa, com a dedicação exclusiva, com todas as garantias trabalhistas e com a possibilidade de desenvolver uma carreira tem bem mais motivação. Assim, nós podemos desenvolver processos de longo prazo. A estrutura está baseada nos nossos colaboradores.

DC – A decisão é fruto dos valores empresariais?
Ribas –
Um dos nossos valores é que o colaborador se sinta parte do processo, que tenha um vínculo com a empresa. Para tal, temos total transparência nessa relação, para discutirmos para onde nós podemos levar a atividade. Acho que temos sido bem sucedidos nisso. Tanto que fomos apontados no Great Places to Work com destaque em Santa Catarina.

DC – A Portonave não atua no início do processo, fabricando, e nem no fim, vendendo. Está no meio, trabalhando na logística. Como a empresa se vê?
Ribas –
Nos enxergamos como grandes facilitadores nesse processo entre as duas pontas. Somos um importante componente para reduzir custo e agilizar procedimentos. Se nós formos ágeis, ajudaremos a tornar o produto muito mais competitivo no exterior.

DC – Se falou muito no fim da Guerra dos Portos com uma mudança de regulamentação feita pelo Senado. Quais foram os impactos?
Ribas –
Acho que existia uma busca dos Estados em tornarem-se competitivos, por isso as compensações fiscais. Vimos alguns que se beneficiaram muito, como o Espírito Santo. Santa Catarina também utilizou-se desse argumento de ajuste de alíquotas. Com a chamada Guerra dos Portos, e por se entender que isso precisava ser alterado, se equalizaram as alíquotas deixando tudo igual no país inteiro. Imaginava-se que os portos catarinenses teriam redução por causa da mudança, mas na verdade isso acabou não acontecendo pela boa infraestrutura daqui.

DC – O que afetou mais o porto: a crise de 2008, a resolução do Senado ou a atual crise?
Ribas –
A crise de 2008 nos afetou, mas na mesma proporção tivemos a enchente no Vale do Itajaí. Esquecemos um pouco da crise mundial e ficamos com o problema local, resolvendo questões de infraestrutura. E era o momento que nós iniciávamos nossa operação. Foi o fator mais impactante. Chegando a 2015, nós começamos a sentir muito forte a questão cambial (alta do dólar), assim como a recessão que o país vive. Buscamos alternativas comerciais para equilibrar nossas operações. Mas de novo chuva e enchente nos impacta fortemente (pelo volume alto do rio, navios ficam impedidos de entrar e de sair do porto).

DC – Há uma busca maior das empresas para alcançar mercados fora do Brasil?
Ribas –
Sim. E com isso também ficamos sensíveis à economia internacional. Nós imaginamos que o Mercosul pode ser um bloco mais forte. Mas o processo das empresas buscarem mercado internacional nos parece como um objetivo a ser perseguido para este momento. Temos um número maior de empresas de linhas de navegação operando em Navegantes a partir deste segundo semestre, o que nos remete a um resultado melhor para o segundo semestre. Conseguindo superar essa condição que a natureza nos impôs nas últimas semanas, certamente veremos um período melhor.

DC – Em números gerais, 2015 deve ser um ano melhor do que 2014 em movimentação?
Ribas –
Deve fechar em número muito próximo, por esses fatores todos que enfrentamos. Devemos manter também um faturamento alinhado ao do ano passado.

DC – Como o porto de Navegantes se tornou o de maior movimentação em SC?
Ribas –
Buscamos ajustar estrutura física. Os investimentos no terminal vieram no tempo adequado. Temos hoje condição de equipamentos e de área que nos permite esse tipo de movimentação. E estruturamos principalmente processos de gestão que nos fizeram ser competitivos com custos adequados. Fomos o primeiro terminal portuário privado do país, então precisamos criar alguns modelos que não existiam e uma cultura dentro da empresa que nascia para esse projeto. Trazer a cultura local adequada à necessária condição de excelência e de competitividade. Hoje temos 400 mil metros quadrados e tínhamos à época 270 mil metros quadrados. Tivemos que fazer todos os contatos comerciais para atrair linhas de navegações comerciais para cá.

DC – A produtividade de SC é competitiva, mesmo longe dos maiores mercados consumidores?
Ribas –
Tivemos uma boa performance de produtividade ao longo dos anos. E no ano passado fomos recordistas sul-americanos em movimentação de contêineres. Chegamos a 270 movimentos por hora em um navio (tirar ou acrescentar um contêiner). Isso mostra que nós temos condições físicas para atender. Temos os processos andando. E para atingir marcas dessa forma o conjunto todo tem que funcionar muito bem.

DC – A visão é ser o melhor porto do país?
Ribas –
Esperamos ser, quem sabe, a melhor empresa portuária do mundo. Buscamos uma visão ampla e acho que temos condição de sermos competitivos com os grandes terminais mundiais.

 

DIÁRIO CATARINENSE
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