Mãe de índio assassinado questiona delegado durante protesto em Imbituba: "Como vão soltar o homem se eu o reconheci?" Felipe Carneiro/Agência RBS

Pais cobraram explicações do delegado em relação a algumas ações tomadas ao longo da investigação

Foto: Felipe Carneiro / Agência RBS

Enquanto indígenas protestavam, nesta quarta-feira, pela morte do menino indígena Vitor Pinto, dois anos, no dia 30 de dezembro, os pais do índio apareceram na cidade e conversaram em público com o delegado responsável pelo caso.

Protestando em frente à delegacia de Imbituba, o grupo de cerca de 100 pessoas ouvia as explicações do delegado Rafael Giordani sobre o rumo das investigações.

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Ele falava que o suspeito está preso temporariamente por não ter havido flagrante, quando a mãe do menino assassinado, Sônia da Silva, o interrompeu:

— Como vocês vão soltar o homem que matou meu filho se eu o reconheci?

A fala da mãe, com tom de indignação, surpreendeu os manifestantes, que não sabiam que familiares estavam na cidade do Sul. Moradores da Aldeia Condá, de Chapecó, a mãe de Vitor, o pai, Arcelino Pinto, e a cacique da Aldeia Condá e tia do menino, Márcia Rodrigues, saíram da cidade natal à meia-noite com um carro da Funai para acompanhar o protesto.

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Em resposta à indagação da mãe, o delegado pediu para falar em separado com os pais para esclarecer a situação e dar mais detalhes da investigação. Antes, o responsável pela investigação disse não acreditar em crime com motivação racial ou preconceito:

— O que vai indicar se foi um crime praticado com motivação preconceituosa serão laudos periciais que caberão à Justiça pedir e realizá-los. Mas eu, enquanto delegado, não acredito nisso.

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O entendimento do delegado foi rebatido pela mãe, em público:

— Se tivesse sido um crime cometido porque ele é louco ou drogado, ele teria matado qualquer outra pessoa, outra criança. Porque escolheu exatamente um índio?

Em um depoimento complementar, de cerca de 40 minutos da mãe de Vitor, ela reconheceu objetos que estavam em posse do assassino no momento do crime: as luvas, o boné, os tênis e a mochila. Segundo o delegado, as novas declarações reforçam a linha de investigação que já vinha sendo realizada pela Polícia Civil.

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ÂNGELA BASTOS
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