Berbigão está cada vez mais raro na Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé Felipe Carneiro/Agencia RBS

Extrativismo do berbigão nos ranchos da Costeira do Pirajubaé

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Das 23 famílias famílias que viviam da pesca do berbigão no início de 2015 na Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, no bairro Costeira, em Florianópolis, apenas três continuam em atividade. Com o objetivo de recuperar o estoque natural do molusco, resgatar a autoestima do pescador e melhorar a qualidade de vida de quem vive da extração, neste sábado, a partir das 9h, acontece a campanha Berbigão para Sempre.

A produção de berbigão, também conhecido como vôngole, caiu sensivelmente nos últimos anos. Segundo a gerente de Programa da Rare (que é uma ONG americana responsável pelo desenvolvimento sustentável de pessoas e da natureza), Larissa Stoner, o molusco vem sendo ameaçado pela pressão urbana, eventos climáticos extremos, sobrepesca, ausência do beneficiamento do berbigão e de seus subprodutos, captura de indivíduos juvenis e dragagem de um dos bancos de exploração para a construção da Via Expressa Sul.


Foto: Felipe Carneiro/Agencia RBS

O pescador Leonardo Manoel de Souza, 38 anos, o Dado, levou cinco horas para capturar 80 quilos de berbigão na sexta-feira. Há um ano, ele levaria apenas duas horas para pescar a mesma quantidade.

— Trabalho com o molusco somente dois dias na semana, porque eles estão cada vez mais raros e pequenos. Nos outros dias sobrevivo fazendo bicos de jardineiro. Tenho vários colegas que deixaram o extrativismo para trabalhar de servente e garçom, por exemplo —lamentou.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodivesidade (ICMBio), os pescadores podem trabalhar quatro vezes na semana, das 7h às 17h. O problema é que, atualmente, não existe molusco suficiente para essa carga de trabalho.

— Queremos a revisão das normas de extração, o manejo do berbigão, a limpeza do cascalho que acumula, a depuração do produto e a participação da comunidade por meio da vigilância — informou o coordenador da campanha e pescador, Fabrício Gonçalves.

A Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé foi criada, em 1992, com 1,7 mil hectares.

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Frase

— A gente costumava dizer que quanto mais se tira, mais se tem, mas não é bem assim — contou o pescador Leonardo Souza, o Dado.

Ganchos precisam ser padronizados

Um dos problemas na pesca do berbigão são os ganchos utilizados na sua coleta. O molusco, que está enterrando nos bancos de areia, é capturado por meio deste utensílio que é fabricado de ferrou ou aço inox.

— O ideal é que o gancho capturasse apenas o berbigão com 20 mm ou mais, mas estamos pegando filhotes que nem desovaram pela falta de padronização nos equipamentos e, por isso, não podemos trabalhar todos os dias. Isso desvaloriza o produto na hora da venda — revelou o pescador Leonardo Souza, o Dado.

O quilo do berbigão "in natura" é vendido pelo pescador a R$ 3. Descascado, o valor chega a R$ 25. 

 "Estamos recuperando o molusco, mas não a nível comercial "

A analista ambiental do ICMBio e chefe interina da Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, Laci Santin, explica que os ganchos foram entregues há quatro anos quando havia uma fartura do molusco. Hoje, existe um estudo para saber o tamanho ideal para a captura do berbigão. 

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— Em parceria com a Epagri e com a UFSC estamos realizando estudos para saber se o berbigão está se reproduzindo com mais velocidade sem o cascalho, apenas com o substrato de lodo e areia. Estamos recuperando o molusco, mas não a nível comercial —  esclareceu.

Campanha Berbigão para Sempre

Quando:
Sábado, dia 27;

Horário: Das 9h às 17h;

Onde: Barracões dos pescadores próximo ao Trevo da Seta, na Via Expressa Sul;

Atividades: Corrida de canoas, apresentação do mascote da campanha, pratos com o molusco, boi de mamão, artesanato, exposição de fotos e dos instrumentos para a pesca e aula de zumba. 

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