Pesquisa da Associação de Bares e Restaurantes de SC reforça importância dos argentinos na economia estadual na temporada Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS

Bares e restaurantes de Santo Antônio de Lisboa tiveram boa movimentação de argentinos nesta temporada

Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

As provocações são comuns pela velha rivalidade no futebol, mas se você encontrar um hermano por aí nos próximos dias, um muchas gracias não cairia nada mal para agradecer o impulsoque eles estão dando à economiacatarinense. Em uma temporadacom impacto direto da crise brasileira no gasto dos empresários e no poder de compra do turista local, são os argentinos e seus dólares os principais responsáveis pelo equilíbrio nas contas deste verão, conforme pesquisa que será divulgada nesta quinta-feira pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Santa Catarina.

Com presença recorde e maior poder de compra, argentinos impulsionam a economia de SC no verão

O levantamento foi feito com 100 estabelecimentos de todo o litoral entre o início de janeiro e o fim do Carnaval. Do total de entrevistados no Estado, 78% disse que a temporada foi boa ou excelente e 45% classificou o período como melhor ou muito melhor do que no ano anterior. A explicação para estas avaliações vem quando a pergunta é sobre os visitantes estrangeiros: 78% afirmam que o número aumentou.

— O que nos trouxe um resultado positivo foi o turista do Mercosul, especialmente o argentino. Continuamos com os mesmos problemas de aumento de custos e no fim as coisas ficam elas por elas, o que em um ano de crise é um bom desempenho, inclusive melhor do que em muitas outras regiões do país — analisa o conselheiro da Abrasel-SC, Evandro Cesar Santos.

Descobrindo outros destinos em Santa Catarina

Com aumento de poder de compra, câmbio favorável e menos restrições para viajar a turismo, a invasão de argentinos se confirmou em SC, como já projetavam entidades como Fecomércio e FCDL. A movimentação histórica levou os hermanos inclusive a frequentar destinos não procurados por eles em anos anteriores, como Santo Antônio de Lisboa, no norte da Ilha.

— Pra nós esse verão foi melhor do que o ano passado. O pico maior foi na semana de Réveillon e depois a gente teve a surpresa com o movimento da segunda quinzena de janeiro, que normalmente não é tão bom. Sentimos uma grande diferença por conta dos argentinos, que acabaram conhecendo a região — comenta Carla Costa, proprietária do Freguesia Bar e Restaurante.

Santa Catarina larga bem na temporada, mas já viu verões melhores

E mesmo quem considerou a temporada semelhante a de 2014/2015 sabe que manter os números do ano anterior já é balanço satisfatório diante do cenário de instabilidade econômica que vive o Brasil.

— A gente mudou de endereço, saindo da avenida principal para um ponto não tão conhecido, e tivemos um pouco de receio por isso. Mas conseguimos ter um movimento igual ao da temporada passada, com um consumo bem maior dos argentinos — relata o proprietário do H2O Sushi Bar, de Garopaba, Leonardo Daniel Jucinsky.

Influência também no poder de compra

E não é só no número de visitantes que os argentinos são decisivos para o balanço positivo da temporada, mas também no gasto médio do verão em Santa Catarina. A pesquisa com os estabelecimentos mostra que 37% dos entrevistados avaliaram o poder aquisitivo dos turistas como menor do que em 2015, contra 30% que o consideraram maior. O equilíbrio, de acordo com o conselheiro da Abrasel, novamente se deve aos hermanos.

— O turista brasileiro gastou muito menos. O que elevou o ticket médio foi o estrangeiro, até pelo poder de compra dos argentinos em relação ao dólar — destaca Evandro Cesar Santos.

O levantamento apontou ainda as dificuldades que atrapalharam a temporada. Os altos custos do setor lideram as reclamações (27%), seguidos de perto pela falta de mobilidade (22%).

— A alta carga tributária e insumos cada vez mais caros são nossos principais problema —, concorda Santos.

Para o restante do ano, metade dos proprietários tem uma expectativa de que será igual a 2015, enquanto 27% têm previsão de melhora e 25% esperam por meses mais difíceis. Apesar disso, boa parte (38%) pretende realizar novos investimentos em 2016.

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