Juros altos, inflação, queda do consumo interno e incerteza político-econômica têm afetado a indústria catarinense. De acordo com pesquisa da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a previsão de investimento do setor em 2016 é de R$ 1,6 bilhão. Quando comparado ao investimento efetivamente realizado, a projeção deste ano é a menor desde 2011, quando o previsto foi de R$ 1,6 bilhão e o realizado foi de R$ 1,7 bilhão. É importante considerar, entretanto, que o levantamento foi feito nos primeiros meses do ano, quando o índice de confiança do empresário era menor.

O percentual de indústrias catarinenses que investem cai desde 2011, quando 77% dos empresários injetaram dinheiro no setor. Em 2015, 79% fizeram investimentos. O encolhimento do PIB em 3,5% no ano passado — na comparação com 2014, que foi um ano fraco – e a crise político-econômica afetaram a agenda de competitividade. A indústria no Estado teve queda de 7,9% na produção e de 12% nas vendas.

Agronegócio responde por maior fatia de aporte em Santa Catarina
Confecção aposta em nova máquina para ampliar produtividade

Com esse cenário, as empresas têm olhado mais para fora. Incentivos fiscais e menor custo da mão de obra foram alguns dos fatores que fizeram os catarinenses direcionar mais investimentos para outros Estados. O percentual de indústrias voltadas apenas para o mercado interno deve ser de 37% neste ano, menor que no ano passado (46%). Boa parte desse interesse em outros países se dá pelo mercado interno ruim, câmbio favorável e o já velho conhecido custo Brasil — impostos altos, burocracia e problemas na infraestrutura.

O governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), também vem incentivando as exportações e fazendo uma romaria a diversos países para renovar ou fechar novos acordos comerciais. Um desses já deve beneficiar Santa Catarina. Segundo Glauco José Côrte, presidente da Fiesc, em reunião recente com o embaixador brasileiro nos Estados Unidos, foi passada a informação de que está em vias de conclusão um acordo para exportação da indústria cerâmica catarinense.

Setor acredita em retomada para 2017 

Apesar de pelo menos um ano e meio de dificuldades mais agudas, a indústria tem motivos para ser otimista. Alguns fatores como abertura de novos mercados, substituições de produtos importados por nacionais e criatividade para enfrentar a crise são motivadores.

As estimativas mais recentes têm apontado para uma suave melhora no próximo ano. Neste mês, pela primeira vez em quatro anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou as previsões para a economia no Brasil. Segundo a entidade internacional, o encolhimento da economia brasileira em 2016 será meio ponto percentual menor do que se estimava.

Em abril, a previsão era de 3,8% de queda. Agora, a previsão é de 3,3%. Para 2017, o FMI prevê que o Brasil alcance 0,5% de crescimento. Há apenas três meses, essa mesma previsão era zero. O presidente da Fiesc vê melhora, mas é cauteloso:

– Na média, a opinião é de que o pior já foi. Nos últimos dois meses não tivemos piora e o índice de confiança está próximo dos 50 pontos, a linha que separa o pessimismo do otimismo. No entanto, enquanto não for definida a questão política, enquanto tivermos governo interino, ainda haverá retração – diz  o presidente.


 Veja também
 
 Comente essa história