A fase de debates do júri do ex-PM que matou o surfista Ricardo dos Santos, conhecido como Ricardinho, iniciou na tarde desta sexta-feira com duas horas de falas da acusação. Luis Paulo Mota Brentano responde pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e embriaguez ao volante na sessão que ocorre no Fórum de Palhoça, cidade onde ocorreu em o crime, em 19 e janeiro de 2015.

A abertura foi do promotor Alexandre Carrinho Muniz. Ele foi seguido pelo assistente de acusação, o advogado Adriano Salles Vanni. Muniz iniciou a apresentação da tese da acusação com uma frase usada pela mãe de Ricardinho no depoimento de quinta-feira: ¿Eu não puder dar água para o meu filho¿. Luciane dos Santos se referia aos momentos após os disparos, quando o surfista estava caído e pedia água porque estava com sede. Os bombeiros pediram que ele não ingerisse líquidos durante o atendimento.

O promotor foi enfático durante todo seu discurso. Usou da emoção para lembrar dos feitos de Ricardinho no surf mundial, o que emocionou a mãe do surfista, que estava na segunda fileira da plateia. Muniz pediu aos sete jurados que condenem o ex-policial militar. Sugeriu que Mota seja condenado à pena máxima, que no caso é 34 anos, se somados os crimes de homicídio triplamente qualificado e embriaguez ao volante.

Depois do promotor, Vanni encerrou a fala da acusação seguindo a linha emocional do discurso. Advogado que atua na maioria dos casos como defensor de réus, ele lembrou do histórico do surfista:

– O que está em jogo aqui é a vida do Ricardo, que já se foi. Esse menino tinha um futuro brilhante. Por uma vaga de carro, por um capricho ele se foi.

A acusação terminou às 16h. Depois de uma pausa de oito minutos, o julgamento reiniciou com a fala da defesa, iniciada pelo advogado Leandro Gornicki Nunes, que terá duas horas para apresentar sua tese, que deve ser focada na legítima defesa. Por fim, haverá tempo para réplica e tréplica, com uma hora cada. A previsão é que o júri termine perto das 22h.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 19 de janeiro de 2015. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), o então policial militar Luis Paulo Mota Brentano estava na Guarda do Embaú, em Palhoça, passando férias com o irmão de 17 anos. No dia anterior, afirma o MP, os dois teriam ingerido bebidas alcoólicas de maneira excessiva até a manhã seguinte.

Por volta de 8h, Mota teria dirigido o próprio carro embriagado até a entrada de uma residência, exatamente onde seria feita por Ricardinho uma obra de encanamento. Depois disso, relata a denúncia, o surfista e o avô, Nicolau dos Santos, teriam pedido ao policial que retirasse o veículo do local, mas Mota se negou e chegou a afrontá-los.

Do interior do veículo, explica a denúncia feita pelo Ministério Público de Santa Catarina, o policial teria atirado três vezes contra Ricardinho, sendo que duas balas atingiram o surfista. Leandro Nunes, advogado de defesa do acusado, afirma que Mota reagiu em legítima defesa, "diante de ataque de Ricardo dos Santos".

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