"Se não há um contrato, se não há uma obra, se não há relação nenhuma, é estranho", diz Colombo Marco Favero/Agencia RBS

Colombo chegou de Brasília no início da noite e foi direto para sua residência oficial na Casa d'Agronômica

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Às 21h09min desta sexta-feira, meia hora depois de deixar o Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, vindo de Brasília (DF), o governador Raimundo Colombo (PSD) chegou na carona de uma camionete à frente do portão da Casa d'Agronômica, seguido de outros dois carros de sua comitiva. Horas antes ele soube que o STJ autorizara uma investigação contra ele por suposta corrupção passiva em suspeitas vinculadas à Operação Lava Jato. 

Tranquilo, se disse surpreso com a investigação. A palavra que mais repetiu foi "colaborar". Afirmou que a Odebrecht nunca participou de obras, licitações ou contratos com o Governo de Santa Catarina. E por isso considerou "estranho" a autorização de abertura de inquérito contra ele.

DC – O STJ autorizou que o senhor seja investigado. Como o senhor vê isso?

Raimundo Colombo – Eu estava lá em Brasília, fui lá no evento da Chapecoense, estava recebendo as medalhas, e agora fui surpreendido com essa matéria. A Odebrecht não tem nenhuma obra em Santa Catarina, desde que a gente assumiu. Não tem nenhum contrato, para ela não foi feito nenhum pagamento. Não tem nada. O que me falaram é que parece que eles queriam comprar a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), mas nós não vendemos a Casan, nenhuma ação da Casan. Então é um negócio que precisa deixar investigar e esclarecer. 

O senhor acha que o projeto de venda da Casan (em 2011), pode estar dentro dessas suspeitas que levaram a essa autorização (de investigação)?

– Mas nós não vendemos nenhuma ação da Casan. A Odebrecht nunca participou de nenhuma licitação em Santa Catarina. Nunca. Nem disputou. Então, eu acho que isso, a hora que tiver essa investigação que eu desconheço, ela vai ser esclarecida sem nenhum problema. A gente que está na vida pública tem que saber que isso pode acontecer, e cabe a nós esclarecer sem nenhuma dificuldade.

Além de abrir inquérito, o STJ também determinou a coleta de provas pedidas pela Procuradoria da República, entre as quais a quebra de sigilo telefônico de um assessor do governo, o Moreno, também conhecido como Galego. Por que ele ainda está no governo?

– Ele não é culpado de nada. Eu não tenho nenhuma prova. Não há uma condenação. Não sou eu que posso condenar as pessoas. Acho que tem que deixar o processo de investigação ser feito.

Qual o próximo passo de sua defesa, o senhor já conversou com os advogados?

– Não conversei com ninguém. Tem que esperar a investigação, e colaborar com ela, não tem nenhuma dificuldade, no que tiver que colaborar, vamos colaborar.

Como o senhor recebeu essa informação hoje?

– Recebi agora no final da tarde, eu estava saindo de Brasília e vindo para cá. Não falei com ninguém ainda, estou acabando de chegar.

Foi com surpresa que o senhor recebeu a informação?

– Foi. Porque como eu disse, se não há um contrato, se não há uma obra, se não há relação nenhuma, é estranho, mas eu acho que a gente tem que se submeter a isso e colaborar. O que estiver ao meu alcance, vamos fazer.

Em março, quando da divulgação daquelas primeiras planilhas da Odebrecht, aparecia o senhor supostamente com o codinome de ovo (Colombo ri). Nessa delação agora, a primeira de um executivo da Odebrecht, que trouxe o nome de vários políticos, não estava o seu nome, mas na página 75 tinha uma menção a esse codinome.

– Eu desconheço. Nunca ninguém me chamou de ovo na vida. Isso é um negócio estranho (sorrindo), não tem nada a ver comigo.

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