"Será o ponto final da segunda fase. A primeira nunca terá ponto final", diz mãe de Ricardinho Cristiano Estrela/Agência RBS

Mãe de Ricardinho chega no fórum acompanhada dos familiares.

Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS

Visivelmente abalada, a mãe do surfista Ricardo dos Santos, o Ricardinho, Luciane dos Santos, chegou às 8h30min ao fórum de Palhoça para o julgamento do ex-PM Luis Paulo Mota Brentano, acusado de matar o filho dela em 19 de janeiro de 2015, na Guarda do Embaú. O júri estava marcado para as 9h desta quinta-feira.

Além dela, estão no fórum Karoline Esser (namorada do surfista na época do crime) amigos e outros familiares. Luciane pediu para que Mota não esteja no Salão do Júri durante o depoimento dela como testemunha. Por isso, no momento em que a mãe de Ricardinho for falar, o ex-PM será retirado do ambiente. Ela afirmou que não consegue ver Mota.

— Não o conheço. E não conseguiria vê-lo. Estou muito nervosa. 

Para Luciane, o julgamento não vai amenizar a dor da família. Vai colocar um ponto final nessa segunda fase. 

— A primeira fase nunca terá ponto final — disse ela antes de entrar no fórum.

Familiares chegam ao local do julgamento Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS

A previsão é que o júri dure dois dias. Até as 9h, horário de fechamento desse texto, o ex-policial não havia chegado ao fórum. Ele estava em Joinville, onde ficou detido no 8° Batalhão da PM desde os dias após o crime. Mota será julgado pelos crimes de homicídio qualificado e embriaguez ao volante.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 19 de janeiro de 2015. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), o então policial militar Luis Paulo Mota Brentano estava na Guarda do Embaú, em Palhoça, passando férias com o irmão de 17 anos. No dia anterior, afirma o MP, os dois teriam ingerido bebidas alcoólicas de maneira excessiva até a manhã seguinte.

Por volta de 8h, Mota teria dirigido o próprio carro embriagado até a entrada de uma residência, exatamente onde seria feita por Ricardinho uma obra de encanamento. Depois disso, relata a denúncia, o surfista e o avô, Nicolau dos Santos, teriam pedido ao policial que retirasse o veículo do local, mas Mota se negou e chegou a afrontá-los.

Do interior do veículo, explica a denúncia feita pelo Ministério Público de Santa Catarina, o policial teria atirado três vezes contra Ricardinho, sendo que duas balas atingiram o surfista. Leandro Nunes, advogado de defesa do acusado, afirma que Mota reagiu em legítima defesa, "diante de ataque de Ricardo dos Santos".

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