"Tudo acabou naquele minuto, foi uma morte de graça", diz avô e testemunha da morte de Ricardinho  Cristiano Estrela / Agência RBS/Agência RBS

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A quarta pessoa a depor no julgamento de Luis Paulo Mota Brentano, ex-policial militar acusado de matar o surfista Ricardo dos Santos, o Ricardinho, foi o avô da vítima, Nicolau dos Santos. Morador da Guarda da Embaú, ele estava com o rapaz de 24 anos quando foi morto, no dia 19 de janeiro de 2015. Como tem parentesco com a vítima, não prestou depoimento como testemunha, mas sim como informante.

Apenas a juíza e a acusação fizeram perguntas ao avô. A defesa abriu mão do direito de questionar o informante. Durante quase uma hora, Nicolau descreveu a convivência com Ricardinho e como foi o momento do crime. 

Segundo o avô, ambos saíram de casa por volta de 8h para ir até o início da trilha que dá acesso à praia. O objetivo era fazer o conserto de um cano próximo da residência da família. No entanto, relatou, o carro de Mota estava parado sobre o local onde eles precisavam abrir. Ricardinho e o avô estavam com uma picareta para fazer o serviço.

— Primeiro pedi para ele (Mota) tirar o carro por um metro. Mas ele não me respondeu nada — contou Nicolau.

O avô e o neto retornaram para casa. Minutos depois, voltaram ao local para uma nova tentativa. Como o carro seguia no local, Nicolau disse que tentou outra vez que o então policial tirasse o veículo. O pedido foi em vão e na sequência vieram os tiros:

— Ele (Mota) não falou nada. O primeiro tiro era para mim, mas pegou no retrovisor. Depois ele atirou duas vezes e acertou no Ricardo.

Nicolau depôs na presença de Mota, que ficou sentado atrás dele sob a guarda de dois policiais militares. Ao falar sobre o neto, o morador da Guarda se emocionou quando lembrou dos momentos em que os dois tomavam café juntos. Ao final das perguntas da juíza, Nicolau disse que a morte de Ricardinho foi rápida:

— Tudo acabou naquele minuto, foi uma morte de graça, sem ter motivo nenhum. Isso eu digo de coração.


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