O Departamento de Administração Prisional (Deap) informou na manhã deste domingo que o detento Valcir Tomaz, foi encontrado morto na noite de sábado dentro da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. Conhecido como Chapecó, Valcir seria integrante do Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Segundo a nota da administração do presídio, o autor do homicídio teria sido André Vargas Pinto. 

Valcir passou a maior parte dos últimos quatro anos detido na Penitenciária Federal de Mossoró (RN), uma unidade de segurança máxima, para onde haviam sido levados quase 40 suspeitos de integrarem o PGC, em fevereiro de 2013. 

O processo judicial de transferência de Valcir Tomaz para a penitenciária federal aponta que ele participava de forma "relevante" na organização criminosa e que teria ordenado a sequência de atentados registrados em Joinville, entre outubro de 2012 e fevereiro de 2013, com incêndios de ônibus, ataques a prédios públicos e a agentes de segurança. Também é mencionado que Valcir praticou infrações disciplinares leves e graves enquanto esteve preso na unidade federal. 

Ele foi transferido de volta a Santa Catarina na metade do ano passado. Segundo a defensora pública Fernanda Mambrini Rudolfo, o retorno ocorreu porque o apenado ainda responde a processos em SC. A defensora representava ele e outros detentos em uma ação penal que apura a atuação da organização criminosa.

Já o apenado André Vargas Pinto, apontado como autor do homicídio de sábado, nunca chegou a ser transferido para fora do Estado. Ele soma 75 anos de prisão em condenações por crimes como receptação, corrupção de menores e homicídio. Em março do ano passado, André foi levado a júri e condenado pelo assassinato de um jovem de 25 anos no Morro do 25, em Florianópolis.

A investigação na época apurou que André e outros acusados buscavam assumir o controle do tráfico no Morro do 25 e ainda integravam o PGC, "aderindo aos propósitos da organização, de implantar o caos social mediante execução de atos criminosos e atentatórios à ordem pública".

O que teria levado um membro da facção a executar outro nome ligado ao mesmo grupo ainda será investigado pela Polícia Civil.

 —Mesmo dentro das organizações há rivalidades. O motivo só a investigação pode esclarecer, mas existem disputas por liderança, às vezes desconfiança de que alguém tenha delatado alguma coisa. Existem fatores que podem levar à morte dentro de uma mesma facção —observa a defensora pública.

Com a morte de Valcir, duas pessoas já foram assassinadas no complexo em menos de 15 dias. No último dia 9, Sebastião Carvalho Walter — um dos fundadores e líderes do PGC — foi atacado por outro detento e não resistiu aos ferimentos.

Confira a nota do Deap sobre o homicídio em São Pedro de Alcântara:

O Departamento de Administração Prisional ( Deap) informa que o detento Valcir Tomaz foi morto ontem, dia 14, no Complexo Penitenciário do Estado, em  São Pedro de Alcântara. O crime foi assumido pelo detento André Vargas Pinto. O Deap já tomou todas as medidas periciais e legais sobre o fato. A Polícia Civil também investiga o caso.

Homem é encontrado morto na Penitenciária Industrial de Blumenau

Um interno da Penitenciária Industrial de Blumenau foi encontrado morto no início da tarde deste sábado nas dependências da unidade. De acordo com nota divulgada pelo Departamento de Administração Prisional (Deap), Helio Fernandes tinha 29 anos e era natural de Turvo. 

De acordo com o site G1, o assassinato foi motivado por "desavença pessoal". Conforme o  diretor da Penitenciária, Cleverson Henrique Drechsler, a morte do detento não possui relação com "rixas de facções criminosas". 

A reportagem do Diário Catarinense tentou contato nesta manhã com o Diretor do Deap, Leandro Lima, mas ele não foi encontrado para falar sobre o caso.

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