Há três anos Florianópolis fecha as contas no vermelho, cenário que motivou uma reforma administrativa. No entanto, a Câmara de Vereadores da Capital, não bastasse ser a terceira mais cara do país, segundo levantamento do Observatório Social do Brasil, gastou R$ 9 mil em flores, R$ 55 mil em troféus, além de ter comprado nada menos que três automóveis de alto padrão, no valor de R$ 77 mil cada um. Estes são alguns dos itens que constam na lista de despesas do órgão do ano passado.

Os veículos foram adquiridos nos últimos dias da gestão, 21 de dezembro. Um outro, de R$ 80 mil, foi comprado em 2015. Os automóveis – uma frota total de nove – ficam à disposição dos vereadores. Segundo o ex-presidente da Câmara, o vereador reeleito Erádio Gonçalves (PSD), os automóveis novos foram comprados para substituir outros mais antigos que geravam despesa com manutenção.

 – Olha, eu simplesmente, andava com carro usado. Mas dentro dos carros, que tinham um valor razoável, aquilo ali tava dentro do padrão. O setor de licitação, de compras e de transportes, eles que fizeram. Eu disse, olha, façam o melhor possível. Eu só fiz uma coisa nessa Casa: cobrar a qualidade do que fosse feito – diz.

A professora de Direito da Univali Elaine Gonçalves Weiss de Souza explica que uma das regras do Direito Administrativo é que haja razoabilidade na gestão do dinheiro público. Na prática, mesmo que uma compra esteja dentro da legalidade, ela deve respeitar um princípio moral e estar de acordo com a situação social e econômica:

– Ele pode ter seguido todas as regras da licitação, estar tudo correto. Mas por que não compra um Fiat Uno? Por que escolher um carro de R$ 77 mil? Isso é legal, mas não é moral. Temos um problema sério no Brasil, que não é só a corrupção, são os privilégios.

O gasto de R$ 9 mil com flores, segundo o ex-presidente da Câmara, foi em uma sessão solene em comemoração ao aniversário da cidade.

– Foi tudo aprovado pela mesa, nunca fizemos nada sozinhos – argumenta Erádio.

Há também uma nota de R$ 2,9 mil de uma loja de decoração, verba usada para aquisição de vasos e bandejas. Os R$ 55 mil com troféus e medalhas foram justificados pelo grande volume de placas, do tipo que se entrega em homenagens.

– Nós chegamos nessa Casa, nada funcionava, nem ar-condicionado. Tinha 60 processos administrativos de dívidas com funcionários. Economizamos e pagamos tudo – afirma o parlamentar.

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