PMDB reage à declaração de Colombo em apoio a candidatura do PSD ao governo em 2018 Julio Cavalheiro/SECOM

Colombo  e Pinho Moreira se encontraram pela primeira vez após governador defender candidatura do PSD em 2018

Foto: Julio Cavalheiro / SECOM

A aliança entre os dois principais grupos políticos que comandam o Estado vive um dos um dos momentos mais tensos desde o início da parceria em 2006. A declaração do governador Raimundo Colombo (PSD), na noite de terça-feira, de que não tem ¿dívidas¿ ou ¿amarras¿ que o impeçam de endossar uma candidatura pessedista ao governo em 2018 foi recebida com surpresa e desapontamento entre as principais lideranças do PMDB.

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A fala de Colombo aconteceu em uma evento que reuniu parlamentares e prefeitos do PSD e do PSB indicando uma composição nas eleições de 2018. O endosso de Colombo à pré-candidatura o deputado estadual Gelson Merisio (PSD) foi encarado como uma sinalização de ruptura ao PMDB — que cobra do governador a retribuição do apoio dado nas eleições de 2010 e 2014, quando indicou Eduardo Pinho Moreira (PMDB) como vice.

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— A gente tem o maior interesse em se dar bem com todo mundo, mas se temos uma dívida, é com o povo de Santa Catarina e mais ninguém. Só depende de nós, nada nos amarra para fazer um projeto de sucesso — afirmou Colombo no evento.

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Imediatamente a frase foi comemorada no PSD e recebida com reservas no principal aliado. Lideranças do PMDB, com o vice Eduardo Pinho Moreira à frente, entendem que havia um acordo para que o governador retribuísse ano que vem o apoio que recebeu do partido para eleger-se governador em 2010 e 2014. Os dois grupos políticos estão juntos desde 2006, quando o então PFL de Colombo apoiou a reeleição de Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

Presidente estadual do PMDB, o deputado federal Mauro Mariani (PMDB) disse que é natural que as legendas apresentem pré-candidatos, mas que Colombo deveria ser mais ¿comedido¿ ao defender um projeto partidário por ter sido eleito por uma aliança.

— Acho que ele avançou o sinal. Colocando em risco, inclusive, a governabilidade dele. O PMDB é um partido importante para o governo, importante para a sustentação. Daqui a pouco tem reflexos administrativos e de condução política — avaliou Mariani.

O senador Dário Berger seguiu a mesma linha, classificando de ¿uma infelicidade¿ o posicionamento do governador. No início da tarde de ontem, Colombo participou de um evento da Celesc junto com o vice Eduardo Pinho Moreira. O peemedebista disse que o assunto não foi tratado, mas admite o desconforto. Reafirmou que existia um acordo para retribuição do apoio peemedebista.

— Estava absolutamente pressuposto. Por que iríamos apoiar o Raimundo duas vezes se não esperássemos reciprocidade? O cumprimento de acordos políticos se dá ou não se dá. Isso também é do jogo — afirmou.

Pinho Moreira também ressaltou esperar que a máquina do governo estadual não seja utilizada para reforçar a pré-candidatura de Merisio. A situação dos peemedebistas em relação ao PSD e ao governador deve ser discutida no dia 6 de março em uma reunião das bancadas federal e estadual, que já estava marcada.

— Todo peemedebista se sentiu desapontado com a fala do governador. Neste momento há um desconforto e falta muito tempo para a eleição. O Estado tem outras prioridades — afirmou o líder do bandada do partido na Assembleia Legislativa, Valdir Cobalchini.


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