Servidores de Florianópolis decidem pelo fim da greve depois de 38 dias Leonardo Gorges / DC/DC

Maioria dos servidores que se reuniu em assembleia nesta quinta-feira decidiu pelo fim da greve da categoria

Foto: Leonardo Gorges / DC / DC

Após 38 dias, chegou ao fim a greve dos servidores da prefeitura de Florianópolis. A decisão foi tomada em assembleia que durou cerca de duas horas, na tarde desta quinta-feira, no Centro da Capital. A grande maioria dos participantes votou pelo fim da greve, com apenas nove votos contrários. Com isso, os serviços que estavam paralisados devem voltar a funcionar já nesta sexta-feira, incluindo as unidades de educação. No caso dos serviços emergenciais da saúde, o retorno deve ocorrer ainda nesta nesta quinta-feira, a partir das 19h, com a troca de turno.

— Saímos com a sensação de que a luta vale a pena. Nós resistimos contra a retirada dos nossos direitos e na defesa do serviço público. Esperamos que a nossa luta inspire as lutas que estão por vir — disse o presidente do Sintrasem, Alex dos Santos, em referências às reformas nacionais da Previdência e trabalhista.

Apesar do retorno aos trabalhos, os servidores aprovaram a continuação de um estado de greve, que significa que eles ficarão alertas à tramitação na Câmara do projeto de lei que foi acordado no TJ e possibilitou o fim da paralisação. Os servidores pretendem ainda fazer uma vigília em frente à Câmara dos Vereadores até que a proposta seja aprovada. Também aprovaram uma paralisação no dia 15 de março, em apoio à luta das centrais sindicais nacionais contra as reformas trabalhista e da Previdência. 

A assembleia dessa quinta-feira teve participação massiva dos servidores, a exemplo das anteriores. Por 45 minutos, o presidente do Sintrasem explicou à categoria as diretrizes do acordo assinado entre o sindicato e a prefeitura no dia anterior, em mediação feita pelo Tribunal de Justiça. 

Santos, mais uma vez, elogiou a capacidade de mobilização dos servidores e elencou o que classificou de "perdas e ganhos" e foi aplaudido diversas vezes durante o ato. 

— Diante da atual situação do país, conseguimos mover uma montanha — afirmou. 

 Entre os ganhos da negociação, Santos destacou a volta da incorporação para aposentadoria das gratificações inerentes aos cargos, o que representa 95% dos casos. O dirigente sindical ainda comemorou o retorno do plano de carreira, cargos e salários (PCCS), que havia ficado suspenso após a aprovação do pacotão na Câmara em janeiro. 

Agora, o Executivo se comprometeu a enviar até a data-base da categoria um cronograma para a implementação das implicações financeiras. Entre as vitórias, Santos ainda ressaltou a recuperação do anuênio e do triênio, mediante a garantia de não haver mais de duas faltas injustificadas por ano. 

Outro ponto que agradou ao sindicato foi em relação às horas extras. Agora, elas passam a ter o valor de 50%, mas são vinculadas à remuneração total e não mais ao vencimento-base. 

Já entre as perdas, ele elencou a diminuição do período da licença-prêmio de 90 dias para 45, além de estar vinculada a um curso de capacitação. Segundo o acordo da quarta-feira, os grevistas terão de repor 52,5% das horas não-trabalhadas, com a garantia de não haver descontos nos salários. 

Apesar da orientação pelo fim da greve, na hora da avaliação do movimento, os dirigentes sindicais criticaram duramente a prefeitura, que, segundo eles, aproveitou o pacotão "goela abaixo", sem discussão com os servidores. 

Santos ainda pediu aplausos para os servidores do civil, que iniciaram a greve, e do magistério, que incorporaram o movimento no início de fevereiro. 

— Sem a força de vocês, não teríamos conseguido fazer o prefeito voltar atrás em vários pontos — afirmou.

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