Consumidor exige esclarecimentos sobre procedência da carne vendida Diorgenes PAndini/Agencia RBS

De olho: uita gente demonstra mais atenção com a qualidade da mercadoria que está levando para a casa

Foto: Diorgenes PAndini / Agencia RBS

— De onde vem a carne que vocês compram? 

A pergunta feita por Karla Martini na manhã de segunda-feira num dos açougues do Mercado Público de Florianópolis tem sido a mais ouvida por comerciantes desde que a Polícia Federal divulgou a Operação Carne Fraca. Diferente de antes, quando os questionamentos eram sobre promoções e preços, o consumidor quer saber sobre a procedência do produto que abastece os açougues. 

A desconfiança atinge tanto pequenos estabelecimentos, como o Mercado Alvorada, às margens da rodovia que corta o Rio Tavares, no sul da Ilha, como pontos tradicionais que funcionam dentro do Mercado Público de Florianópolis.

— A notícia deixou as pessoas muito preocupadas com o que levam para casa. Nós trabalhamos com frigoríficos da região e isso está sendo muito bem aceito — explica Silvan Silva Júnior, gerente do Mercado Alvorada.

Com 55 anos de atuação, o Açougue do Aurino, no Mercado Público, também confirma a preocupação dos consumidores com a procedência da carne:

— Sentimos que o comportamento mudou de sexta-feira para cá. Muita gente que já é cliente diz que "por sorte não compra carne embalada e que opta por embutidos artesanais" — observa Cristiane Mirtes dos Santos da Silva, que na manhã de segunda-feira respondia pelo caixa.

Foto: Diorgenes PAndini / Agencia RBS

Ao lado do estabelecimento, outro comerciante tradicional confirmava o cuidado maior que o consumidor parece estar demonstrar:

— Não sabemos se vai durar por muito tempo ou se é apenas impacto do noticiado, mas as pessoas chegam aqui perguntando de onde nós recebemos a carne — conta Wilmar Cruz Kretezer, responsável pelo açougue que funciona na ala principal do mercado público.

Com atuação desde 1975 e há dois anos no local, o estabelecimento vende em média 3,2 mil quilos de carne por mês. Wilmar considera que houve certo exagero na divulgação das irregularidades pela PF e que isso pode levar a uma generalização.

— Acreditamos que a partir de agora, qualquer problema com relação a um produto vire motivo de denúncia, mesmo que esteja de acordo com as normas sanitárias. Por isso, todo o cuidado será pouco.

Na quita-feira, feriado pela passagem do aniversário de Florianópolis, a equipe do mercado Kretzer estará em São João do Itaperiú visitando um frigorífico que abastece o estabelecimento. O comerciante explica que a programação estava marcada e ser uma coincidência com relação à Operação Carne Fraca. O objetivo é conhecer o processo, do abate ao embarque nos caminhões que fazem a transporte da mercadoria.

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