A calma retornou na noite desta segunda-feira a Damasco, após o Exército repelir um ataque de rebeldes e jihadistas contra a cidade que representa o regime do presidente Bashar Al-Assad.

O comércio voltou a abrir suas portas no leste da capital síria e o trânsito voltava ao normal, constataram os correspondentes da AFP em Damasco.

No domingo, combatentes liderados pelos extremistas da Frente al-Sham, antigo braço sírio da Al-Qaeda, atacaram de surpresa as forças do governo a partir da posição rebelde mais próxima ao centro da cidade, no bairro de Jobar.

A ofensiva relâmpago era destinada a contrabalançar a ofensiva das forças do regime em três bairros do norte da capital e abrir uma nova frente de combate, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Mas as forças de Al-Assad lançaram rapidamente uma contraofensiva, repelindo os rebeldes, graças principalmente a sua superioridade militar aérea.

- Contraofensiva -

"Conseguimos retomar quase a totalidade das posições sobre as quais os rebeldes haviam avançado" no domingo, disse uma fonte militar à AFP. "Queremos afastar estes grupos, ligados à Al-Qaeda", da capital.

Graças a dois carros-bomba e vários suicidas, os rebeldes e os jihadistas conseguiram entrar no bairro dos Abasies, no leste de Damasco, próximo ao centro da capital, a partir de Jobar.

"Aconteceram intensos ataques aéreos desde o amanhecer contra posições rebeldes no bairro de Jobar", indicou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

O bairro de Jobar, cenário de confrontos há dois anos, está dividido entre os rebeldes e os jihadistas de um lado e as forças governistas de outro.

Pela primeira vez em dois anos, os rebeldes entraram em edifícios da Praça de Abbassiyyin, a partir de onde lançaram foguetes contra vários setores da capital.

Jobar representa "uma linha de frente importante" em razão de sua proximidade com o centro de Damasco, explicou Abdel Rahman.

- Reabertura do comércio -

Os confrontos de domingo provocaram a morte de ao menos 26 combatentes pró-regime e de 21 rebeldes ou jihadistas, segundo Abdel Rahman, que não forneceu qualquer balanço sobre os combates e ataques aéreos desta segunda-feira.

O área da Praça Abbassiyyin, sobrevoada por aviões, começava a retomar uma animação quase normal no final da manhã desta segunda, com a reabertura de ruas e pessoas esperando o ônibus, observaram correspondentes da AFP.

No final da tarde, já não se ouviam disparos na capital.

Damasco, relativamente poupada da violência desde o início da guerra, foi recentemente atingida por ataques suicidas, um dos quais deixou 74 mortos no centro histórico da cidade e foi reivindicado pela Frente Fateh al-Sham.

- Fazer pressão antes de Genebra -

Estes combates na capital síria ocorrem dias antes de uma nova rodada de negociações para a Síria prevista a partir de quarta-feira em Genebra, sob os auspícios da ONU, na presença de representantes do regime de Bashar al-Assad e da oposição.

Segundo o chefe da delegação do regime, Bashar al-Jaafari, "os últimos ataques terroristas em Damasco (...) e em outras partes da Síria visam pressionar o governo sírio antes de Genebra".

Todos os esforços diplomáticos, apoiados pela ONU ou não, fracassaram na tentativa de encontrar uma solução para este conflito, que atinge a Síria há mais de seis anos e que já deixou mais de 320.000 mortos e milhares de deslocados e refugiados, provocando uma grave crise humanitária.

Em dezembro foi negociado um cessar-fogo com a ajuda da Rússia, aliada do regime, e da Turquia, que apoia os grupos rebeldes, mas os combates no país prosseguiram.

* AFP

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