Dois dias após o estouro da Operação Carne Fraca, que investiga esquema de pagamento de propinas a auditores fiscais agropecuários para liberação de carnes impróprias para o consumo, entidades de Santa Catarina tentam frear o impacto do escândalo nacional nas exportações catarinenses. De acordo com o setor no Estado, importadores acenaram no fim de semana para a possibilidade de suspender contratos no país.

– É bem provável que ocorra cancelamentos de alguns contratos, pois ouvimos comentários dos representantes das empresas compradoras da China cogitando cancelamentos. Mas não há nada oficial – afirmou o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados (Sidicarnes), Ricardo Gouvêa.

Segundo ele, há um esforço para esclarecer a situação. Atualmente, SC é o maior exportador de frango e de carne suína do país. No primeiro bimestre, registrou crescimento de 23% no valor dos embarques ao exterior, o primeiro aumento para o período após dois anos de queda consecutiva.

O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), José Antônio Ribas Júnior, também confirmou que há informações circulando.

– Há comentários de representantes de tradings (intermediários entre fabricantes e compradores), mas temos que nos concentrar nos canais oficiais, pois há outros interesses em jogo – afirmou Ribas.

Para o presidente da Acav, com esse tumulto no mercado, há empresas que podem usar esse escândalo para barganhar preço. Ele afirma que o objetivo agora é esclarecer para os compradores que a operação da Polícia Federal é algo pontual e que apenas três frigoríficos foram interditados em um universo de 5 mil no país.

– Temos que trabalhar para que não haja uma decisão governamental dos países importadores em fechar as compras, pois daí fecha para todos – diz Ribas.

O governador Raimundo Colombo se reúne na tarde de hoje com representantes do Ministério da Agricultura, membros do governo e entidades da agroindústria catarinense. Segundo Gouvêa, o encontro deve focar nas consequências da investigação sobre a cadeira produtiva no Estado, como a estabilidade dos produtores, funcionários das empresas e transportadoras. Ontem, o governador se encontrou com secretários para avaliar o impacto da crise.

Mercados de China e Russia ameaçados

O secretário da Agricultura de Santa Catarina, Moacir Sopelsa, diz que o Estado deve ser o mais prejudicado com a situação pela importância que o agronegócio representa a SC:

– Vamos sentir o impacto disso.

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Losivânio de Lorenzi, acrescenta que há o temor de suspensão de contratos principalmente da Rússia e China, os dois maiores compradores de SC. Juntos, eles representam cerca de 60% das 274 mil toneladas vendidas no ano passado. 

A Associação Brasileira de Proteína Animal informou que não há nada oficial sobre suspensões de contratos de exportação.

Colombo se reúne com secretários para avaliar impactos da Carne Fraca
Operação têm potencial para abalar mercado exportador em Santa Catarina


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