Após soltura, juíza plantonista manda prender suspeitos de chacina na Costeira, em Florianópolis Marco Favero/Agencia RBS

Suspeitos teriam participado da chacina que deixou três mortos na Costeira, em Florianópolis

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Em uma nova decisão na madrugada desta sexta-feira, a Justiça decretou a prisão preventiva dos dois homens suspeitos de participarem da chacina da Costeira, em Florianópolis. Um deles — Fernando Varela Zancheta, o Xadrez — foi preso na manhã desta sexta-feira, em Palhoça, por policiais militares. O outro, Ricardo Collin Gonçalves, o Gringo, ainda está foragido.

Eles haviam sido soltos porque, em audiência de custódia na quinta-feira, a juíza Erica Ferreira entendeu que não havia indícios de autoria e que faltavam informações básicas de materialidade do fato e autoria enviadas pela Policia Civil no auto de prisão em flagrante.

As ordens de prisão saíram a 1h21min pela juíza plantonista Alexandra Lorenzi da Silva e foram divulgadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina de manhã. A magistrada atendeu ao pedido do Ministério Público. Os dois haviam sido presos pela Polícia Militar na quarta-feira, na noite do crime, na Costeira, em um carro Zafira estacionado na região. Dentro de outro veículo, pertencente a Gonçalves, um Peugeot, a polícia encontrou uma arma dele. 

Gonçalves e Zancheta foram soltos porque, segundo a juíza Erica Ferreira, não existiam, no auto de prisão em flagrante da Polícia Civil, provas de materialidade (como ausência de laudo cadavérico das vítimas, por exemplo) da autoria do crime pelos dois presos. Além disso, a juíza entendeu haver deficiência na apuração policial.

Já a juíza plantonista Alexandra Lorenzi teve entendimento de que estavam presentes os requisitos para a prisão preventiva, como garantia das ordens pública e econômica, conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei. Além disso, que "a prova da existência dos fatos (homicídios e tentativas de homicídios) sobressai cristalina através de exame da prova oral colhida no auto de prisão em flagrante".

Crime hediondo merece maior repressão do Judiciário, assinala juíza

"Assim a prisão cautelar é necessária para a garantia da ordem pública, de forma a afastar os autores do delito do convívio social em razão de haver disputa por território do tráfico de drogas no local conhecido como "Morro do Neném", conforme bem estão a demonstrar os documentos acostados no APF (auto de prisão em flagrante), somando-se a isso, o fato de que o crime que lhes é atribuído é equiparado a hediondo, merecendo maior repressão por parte do Poder Judiciário", escreveu a juíza Alexandra.

Para a magistrada, a versão trazida pelos indiciados nos interrogatórios deles não encontra nenhum suporte no que consta na prisão em flagrante e são cheias de lacunas.

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