Karim Cheurfi, de 39 anos, que matou na quinta-feira à noite um policial no Champs-Elysées em Paris antes de ser abatido, era reincidente, obcecado com a ideia de atacar policiais, mas não era conhecido como um islâmico radicalizado.

"Aqui, todo mundo o conhecia. Era alguém que havia perdido a razão, cujo psicológico foi realmente afetado", revelou à AFP, sob condição de anonimato, um vizinho de seu bairro tranquilo de Chelles, subúrbio a nordeste de Paris, que disse conhecê-lo há mais de vinte anos.

"Suas ações, reações, a maneira de andar, sua atitude eram totalmente descompensadas, como se tivesse vindo de Marte", acrescenta.

Nascido em 31 de dezembro de 1977 em Livry-Gargan, outra localidade da região parisiense, foi preso em 23 de fevereiro, depois de declarar em dezembro a um colega querer "matar policiais em retaliação ao que estava acontecendo na Síria", ter feito contatos para comprar armas e por comprar facas, uma câmera e máscaras online. Após sua detenção, foi libertado por falta de provas, de acordo com uma fonte próxima à investigação.

Desde março, porém, era alvo de uma investigação por terrorismo, de acordo com essas fontes.

Este homem sem ocupação conhecida já havia passado várias vezes pela justiça, por roubos e três tentativas de assassinato. Em fevereiro de 2005, foi condenado a 15 anos de prisão por tentar matar um estudante guardião da paz que usava uma braçadeira da polícia e o irmão do mesmo.

O caso aconteceu em 2001: Karim Cheurfi, dirigindo um carro roubado, fugia após bater em um outro veículo. Armado com um revólver, feriu gravemente os dois irmãos que tentavam persegui-lo. Dois dias depois, tentou matar um outro policial.

'Ódio contra a polícia'

Libertado da prisão em julho de 2013, voltou a ser condenado em 2014 por roubo agravado a quatro anos de prisão, mas foi finalmente colocado em liberdade em 2015, em liberdade condicional.

De acordo com uma fonte próxima à investigação, não apresentou sinais de radicalização na detenção.

"Ele foi marcado pela prisão, mas não marcado pela religião", considerou Mohammed, de 21 anos, que vive em um edifício perto do pavilhão onde Karim Cheurfi morava com a mãe. "Ele tinha um ódio pela justiça e pela polícia (...), que pode ter explodido ao sair da prisão".

Após ser colocado em liberdade condicional, não voltou a criar a problemas. "Ele conseguiu fazer com que esquecessem um pouco dele", diz uma fonte policial.

Seu ataque no Champs-Élysées foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), mas esta reivindicação é questionável, porque a que a organização forneceu o nome de guerra de um jihadista belga chamado de "Abu Yussef o belga".

Mas uma mensagem manuscrita em defesa do "Daesh" (sigla do EI em árabe) foi encontrada perto do corpo do criminoso, e um Corão em seu carro.

Na vizinhança, Karim Cheurfi não é descrito como um homem radicalizado que poderia gravitar na nebulosa jihadista salafista.

"Ele não sabia nem usar um controle remoto, quanto mais acessar a internet e entrar em contato com o 'Daesh', imagino que não!", brinca Salim.

Abdel, outro vizinho de 23 anos, concorda: "Ele tinha ódio da polícia, da França. Ele foi marcado pela prisão. Mas associá-lo ao Daesh é bobagem".

O homem não era conhecido por ter qualquer prática muçulmana. "Costumo ir à mesquita, eu nunca o vi", disse Salim.

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