Florianópolis chega a 63 mortes violentas em 2017  Felipe Carneiro/Agencia RBS

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Com a chacina no bairro Costeira e outros dois assassinatos em menos de 24 horas, um dentro da penitenciária da Agronômica e outro na Cachoeira do Bom Jesus, no norte da Ilha de SC, Florianópolis chegou a assustadora marca de 63 mortes violentas em 2017. A polícia reafirma que os crimes são motivados principalmente por uma guerra de facções e o Estado ainda não anunciou novas ações para frear o índice, um recorde negativo para o período em Santa Catarina – nenhuma cidade catarinense registrou até hoje número parecido.

Ainda na quinta-feira, nas horas seguintes aos três homicídios após a invasão de criminosos na noite de quarta-feira no Morro do Neném, na Costeira, policiais civis buscavam avançar nas investigações quando tiveram que apurar dois novos crimes. Pela manhã, um homem foi morto a tiros na Cachoeira do Bom Jesus – à tarde o irmão dele também foi baleado em Canasvieiras, mas sobreviveu. Por volta das 14h, um detento foi morto na Penitenciária da Capital.

Dados da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública indicam 63 mortes violentas registradas até quinta-feira – 56 homicídios, um latrocínio (roubo seguido de morte), três lesões corporais seguidas de morte e outras três após confronto com a Polícia Militar. Em todo o ano passado, Florianópolis teve 92 casos. O número é próximo do registrado em 2015 inteiro (67).

O DC tentou entrevistar o secretário da SSP, César Grubba, mas a assessoria informou que ele estava em viagem ao Rio de Janeiro participando de reunião do colégio nacional de secretários da segurança pública. Em nota, a secretaria afirmou que toda a estrutura desenvolve trabalhos com muito empenho, dedicação e competência, e que casos graves e de grande repercussão foram resolvidos e esclarecidos. A pasta destaca ainda que o combate ao tráfico de drogas está sendo forte como no caso da Costeira e que há operações policiais todos os dias com integração bastante positiva entre as forças.

Para o professor de direito penal, especialista em criminologia e doutor em ciências jurídicas, Alceu de Oliveira Pinto Júnior, a situação requer ações a curto e médio prazo como intensificação de barreiras policiais em áreas de maior incidência de noite e de madrugada para tirar armas de circulação e prender pessoas foragidas.

— A médio prazo o Estado deve mudar a estratégia, não só mobilizando órgãos de segurança, e sim assistência social, educação. Vejo um quadro tão grave com essa criminalidade importada em Florianópolis. É preciso medidas rápidas para não ficarmos como o Rio de Janeiro, dependendo de UPPs (unidades pacificadoras) e do Exército nas ruas — alerta Alceu.

Conflito pelos pontos de tráfico de drogas

A reportagem apurou que é grande a chance de os crimes ocorridos na Costeira, na quarta-feira, terem mandantes ligados à facção criminosa catarinense. O grupo queria tomar os pontos de vendas de drogas no morro após a prisão de Danilo de Souza, irmão do traficante Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, e outro gerente do tráfico no bairro. Os criminosos portavam fuzis e pistolas e estavam em três carros. Seriam ao menos 10 homens envolvidos na ação que matou três homens e deixou outros três em estado grave. 

Na manhã de quinta-feira, o governador Raimundo Colombocomentou sobre o confronto entre facções. Segundo ele, o governo está atento e preocupado com a escalada da violência:

– Estamos vivendo essa situação em alguns lugares de SC, e vamos reforçar a segurança. Fizemos uma série de reuniões desde muito cedo. Nossa reação será de proteger a sociedade usando todas as forças.

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