Mesmo controvertida, a ajuda de governos para a criação de grandes grupos nacionais que depois vão crescer no Exterior é uma política que já foi usada com sucesso em outros países, principalmente na Ásia. A diferença, ressaltam estudiosos do tema, é a forma como a estratégia é posta em prática.

– No caso dos Tigres Asiáticos, primeiro foi feita competição interna para selecionar empresas que seriam beneficiadas. Não só com crédito subsidiado, mas políticas mais horizontais que ajudam toda a economia, como taxa de câmbio compatível e incentivos a investimento em tecnologia – relata Arthur Barrionuevo, professor da FGV.

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Um dos exemplos mais citados é o da Coreia do Sul, onde floresceram companhias como LG e Samsung. Mas, recentemente, houve escândalo político, com queda da presidente Park Geun-hye.

– Na Coreia, houve apoio para a criar gigantes tecnológicos que geraram benefícios para o país, concentrando-se em um trabalho nobre de engenharia que iria gerar salários mais altos para os coreanos – aponta Paulo Furquim de Azevedo, coordenador do Centro de Estudos em Negócios do Insper.

Diretor-superintendente da CRP Companhia de Participações, Clovis Meurer faz contraponto. Para ele, o Brasil também tem casos de sucesso de empresas que, além da competência de donos e investidores, em certo momento, tiveram apoio do Estado, como a política adotada anos atrás de substituição de importações. A CRP, por exemplo, investiu na Bom Gosto, antes da fusão que criou a LBR. Para Maurer, houve falha de gestão, mas a principal causa foi conjuntural, após anos de matéria-prima nacional mais cara do que no Exterior.

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