Da denúncia de Janot ao protesto na sexta-feira: os sete desafios de Temer em uma semana decisiva NELSON ALMEIDA/AFP

Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

À espera de ser denunciado por corrupção, o presidente Michel Temer articula ações para manter base aliada e evitar a ampliação de movimentos contrários nas ruas. Na semana que pode ser a mais decisiva de seu mandato até agora, Temer enfrentará pelo menos sete desafios. Veja quais serão eles.

Denúncias de Janot

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar a primeira denúncia contra Temer por corrupção passiva. O presidente trabalha, com cargos e emendas, para evitar a debandada de aliados e assegurar os votos ou ausências de 172 deputados, soma necessária para arquivar o caso no plenário da Câmara — a votação seria em julho. Como Janot pode denunciar Temer mais de uma vez, o Planalto teme que o desgaste se amplie, implodindo a base.

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Aliança tucana

Apesar de aliados sugerirem a demissão dos quatro ministros do PSDB, liberando espaço para consolidar aliança mais enxuta e fiel com os partidos do antigo centrão, Temer mantém a aposta no apoio tucano. O arquivamento do pedido de cassação de Aécio Neves (PSDB-MG) no Conselho de Ética do Senado, feito pelo peemedebista João Alberto Souza (MA), serve para segurar os votos do PSDB na Câmara.

Cunha, Funaro e Rocha Loures

Diante da derrota no STF, que formou maioria para manter a homologação da delação da JBS, o Planalto se volta para barrar e minimizar vazamentos de informações sobre a colaboração que o operador Lúcio Funaro negocia. Outra frente de preocupação é o eventual acordo de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A defesa de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o homem da mala, tenta levar o ex-deputado à prisão domiciliar. Um revés ampliaria a pressão por delação.

Reformas

O Planalto programa aprovar na quarta-feira a reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e levar o projeto ao plenário no mesmo dia. O relator Romero Jucá (PMDB-RR) tenta enquadrar os rebeldes. Se aprovar as mudanças na legislação trabalhista, o governo acredita que manterá o apoio do empresariado. Na Câmara, permanecerá o discurso favorável a pautar a reforma da Previdência em julho.

CPI da JBS

Desde o final de maio, a CPI mista da JBS aguarda que os líderes indiquem os integrantes da comissão. A investigação pretende apurar fraudes e irregularidades nos empréstimos do BNDES à JBS. A base de Temer quer usar a comissão para vincular a empresa aos governos petistas e questionar os benefícios da delação dos irmãos Batista e, assim, desgastar Janot e o ministro do STF Edson Fachin. O Planalto não tem pressa para acelerar a CPI.

Reajuste do Bolsa Família

Temer prepara para esta segunda-feira o anúncio do reajuste do Bolsa Família, em uma tentativa de promover uma agenda positiva antes da denúncia da PGR. A alta média do benefício fica em 5,5%, acima da inflação dos últimos 12 meses. O Planalto discute com a equipe econômica medidas de apelo junto à classe média. A intenção é controlar pelo bolso a alta rejeição ao presidente, mantendo movimentos que apoiaram a saída de Dilma Rousseff longe de manifestações.

Sindicatos e oposição

Centrais sindicais e movimentos sociais convocaram mobilização para sexta-feira, mas desistiram de uma nova greve geral. A paralisação fará mais um protesto contra as reformas e pedirá a saída de Temer do Planalto. 

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