Ação conjunta é fundamental para enfrentar violência contra mulher no campo Felipe Carneiro/Agencia RBS

Histórias de trabalhadoras rurais que sofreram agressões físicas e psicológicas foram retratadas em reportagem especial

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Enfrentar a violência contra a mulher no meio rural, tema da reportagem especial "Sozinhas", publicada neste fim de semana no DC, é um desafio conjunto. A resposta virá de um esforço articulado entre diferentes áreas do governo, como as Secretarias de Assistência Social e Segurança Pública, e também pela mobilização da sociedade.

— Temos que somar esforços para ajudar as mulheres que convivem com essa realidade. A reportagem é uma resposta para algumas pessoas que não acham necessário abordar o tema e pensam que é exagero falar que no campo existe esse nível de agressão decorrente de uma cultura de dominação masculina — diz a coordenadora estadual de Mulheres da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Santa Catarina (Fetaesc), Agnes Weiwanko.

Leia "Sozinhas", reportagem sobre violência contra a mulher no campo 

A delegada Patrícia Zimmermann D¿Ávila, coordenadora das Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMIs) em Santa Catarina acredita que a estruturação das polícias é fundamental. Como resposta ao problema da violência na região Oeste, onde estatisticamente ocorre maior número de casos, a delegada lembra que por iniciativa da Polícia Militar, a Patrulha Maria da Penha está funcionando em Chapecó.

No Oeste, diz, há cerca de 30 homens presos por descumprimento de medida protetiva determinada pela Justiça, quando devido às ameaças oferecem risco à vida da mulher. A ideia é que essa iniciativa se multiplique em outras regiões do Estado. Há um projeto-piloto em Florianópolis, no Norte da Ilha, apoiado pela Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher, e iniciativa semelhante em discussão em Joinville, a maior cidade do Estado. 

Já não é exatamente o que pensa Daniela Felix, advogada popular, professora e líder do Grupo de Pesquisa e Estudos em Direito, Gênero e Feminismos do Cesusc. Para ela, as políticas de Estado historicamente não compreenderam que soluções estruturais, culturais e sociais não se modificam pela mera alteração legislativa.

— As leis, via de regra, tem caráter penal e punitivo, mas, por sua vez, não trazem indicativos significativos de avanços às pautas de gênero, aos feminismos, à luta contra o patriarcado. O que se verifica na realidade é o precário cumprimento dessas leis de amparo às mulheres, bem como a efetivação de políticas públicas — defende.

Para a advogada, o enfrentamento da questão não se dará pela força da lei:

— A lei não altera cultura, assim como a questão apenas penal não terá efeito para a redução de vítimas mulheres, sejam do meio urbano ou rural.

Conversa ao vivo com especialistas

A repórter Ângela Bastos conversa nesta segunda-feira, às 14h, ao vivo, com transmissão pelo Facebook, com a delegada Patrícia Zimmermann, coordenadora dos DPCAMIs no Estado, e com a coordenadora estadual da mulher da SSP/SC, Aretusa Larroyd.

Acompanhem em: www.facebook.com/diariocatarinense

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Foto: Felipe Carneiro / Agência RBS


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