Carolina Bahia: reforma em causa própria Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

Apelidada de reforma das reformas, as propostas de mudanças nas regras eleitorais estão sendo utilizadas, mais uma vez, para resolver interesses pontuais e não para tentar colocar a política nacional nos eixos. Quem observa os deputados federais tem a clara impressão que, em muitos casos, ainda não caiu a ficha. 

O atual sistema se esgotou, arrastado para a vala dos escândalos de corrupção. Mas há parlamentares apegados, que não conseguem pensar em outra maneira de fazer campanha, de se relacionar com o poder Executivo ou mesmo de manter o padrão de vida conquistado nos últimos anos. 

Um exemplo da falta de seriedade com que o tema é encarado é a pegadinha que o deputado Vicente Cândido (PT-SP) colocou no seu relatório da reforma. Em meio a temas urgentes, como o fim da coligação nas proporcionais, ele inseriu a tal "Emenda Lula". A proposta, revelada pelo jornal Estado de São Paulo, sugere que um político não possa ser preso oito meses antes das eleições. Feita sob medida para o caso do ex-presidente Lula, é um deboche. Só serve para desmoralizar o debate das mudanças na lei eleitoral e piorar ainda mais a imagem do parlamento. Desapega, deputado!

Um equívoco
Lideranças do PT na Câmara, consultadas pela coluna, confessam que foram surpreendidas pela ideia da Emenda Lula e que a consideram um equívoco. O deputado Vicente Cândido teria colocado a proposta no relatório final sem consenso entre os colegas de bancada. Vicente Cândido não é o primeiro petista a perder a chance de apresentar uma reforma consistente. Em 2013, o então deputado Cândido Vacarezza (SP) também apresentou um relatório sem acordo no próprio partido.

Sem sentido
Depois da reforma trabalhista, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), quer salvar as mudanças na Previdência. É por isso que defende uma reforma fatiada, preservando ao menos a alteração na idade mínima. Aos pedaços, no entanto, a reforma perde o sentido.

Assédio
O Planalto vai aproveitar o período de recesso para tentar ampliar o placar de votos favoráveis no plenário da Câmara, na tentativa de enterrar a denúncia contra o presidente Michel Temer. Nomes da bancada de Santa Catarina estão entre os primeiros da lista dos emissários do governo.

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