Projeto que faz alterações na Comcap precisa ser aprovado até quarta na Câmara da Capital Sintasem/Divulgação

Durante assembleia desta manhã, 10, Comcap confirmou início da greve

Foto: Sintasem / Divulgação

Os últimos dias antes do recesso parlamentar, que começa quinta-feira, prometem ser intensos na Câmara de Vereadores de Florianópolis. O texto que altera o regime da Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap) chegou à Casa na quarta-feira da semana passada e deve ser votado até esta quarta-feira, 12. O objetivo do projeto de lei é transformar a companhia de economia mista em uma autarquia. Amparados pelo sindicato, que questiona os impactos da decisão na empresa, os trabalhadores estão organizados desde a semana passada e, nesta segunda, confirmaram o início da greve

Na Câmara, nesta tarde de segunda-feira deve entrar em votação o regime de urgência do projeto. A expectativa do líder do governo, Roberto Katumi (PSD), é de que os demais vereadores aprovem. Assim, a votação para a votação do projeto em si começaria na terça-feira. Em um trâmite normal, a Casa teria até três dias para aprovar ou rejeitar o projeto mas, com o recesso, Katumi espera que tudo se resolva até o meio da semana. Ainda assim, existe certo temor de um debate com os vereadores da oposição. 

– Não há acordo ainda. Tudo deve ser muito bem discutido, o que o governo acha, a mudança de regime (trabalhista). E a oposição vai tentar obstruir, mesmo que não tenha um posicionamento claro. Vai ser mesmo um confronto – afirma Katumi.

Na última sexta-feira, Gean Loureiro (PMDB) esteve na sede da Comcap falando aos trabalhadores. Segundo os assessores, a intenção do chefe do executivo é apresentar outra emenda para deixar ainda mais clara a estabilidade dos cerca de 1,6 mil empregados da companhia. O sindicato da categoria diz que a mudança seria o primeiro passo para iniciar o processo de privatização. 

Oposição teme que sistema seja terceirizado

Em conversa com a reportagem na sexta-feira à noite, o vereador Lino Peres afirmou que, na opinião dele, a votação do requerimento vai depender da mobilização na Câmara durante o dia. A expectativa da oposição é para que o prefeito reveja o pedido de urgência e discuta melhor o projeto. A grande polêmica, explicou Lino, foi porque o prefeito teria dito aos parlamentares que estava conversando com o sindicato e com a própria Comcap antes de protocolar o projeto de lei, o que não teria de fato acontecido. O receio da oposição é que o projeto de lei seja uma manobra para terceirizar o sistema, uma espécie e privatização disfarçada, comentou Lino. 

– Estamos estudando, não é o projeto em si, mas a forma como ele está sendo aprovado. Protocolaram sem consultar o Sintrasem e por isso gerou toda essa polêmica. Existe um prazo para o pagamento do Refis, se tiver essa manobra, reduz o custo do Refis e o regime passa de celetista para estatutário. A justificativa toda é financeira, mas queremos entender como será esse novo modelo que ele (o prefeito) vai implantar – ponderou Lino. 

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