A denúncia contra Michel Temer, que estava em votação nesta quarta-feira (2) na Câmara, era relativa ao crime de corrupção passiva. A acusação foi baseada na delação da JBS e em gravação de conversa do empresário Joesley Batista, dono da JBS, com o presidente. No entendimento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Temer aceitou vantagem indevida por meio do ex-assessor especial e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), flagrado pela Polícia Federal (PF) recebendo uma mala de R$ 500 mil de um diretor da JBS. Mas há expectativa de que o conteúdo da mesma delação dê origem a pelo menos mais uma denúncia contra o presidente. Não há prazo para que isso ocorra, mas Janot deixa o cargo em 17 de setembro para dar lugar a Raquel Dodge. Confira abaixo no que podem consistir as acusações futuras.

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Obstrução da Justiça

No último dia 27 de junho, a PF entregou à Procuradoria-Geral da República relatório concluindo que Temer agiu para atrapalhar investigações ao incentivar a continuidade de "pagamentos ilegítimos" com o objetivo de manter o silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e de seu operador financeiro, Lúcio Funaro. A PF entendeu que a conduta do presidente pode ser enquadrada como crime de obstrução da Justiça. O relatório diz que Temer praticou obstrução "por embaraçar investigação de infração penal praticada por organização criminosa". Conforme o documento, o diálogo entre Temer e Joesley sinaliza "efetivamente" que o presidente "avalizou e aderiu" à ação em curso para frustrar as investigações. a PF destaca que o trecho do diálogo no qual Temer afirma a Joesley "tem de manter isso, viu", indica a possibilidade de que o presidente soubesse dos pagamentos mensais realizados por Joesley a Cunha e Funaro. A apuração ainda indicou que o peemedebista prevaricou por não comunicar às autoridades os relatos de Joesley, que afirmou estar "segurando" dois juízes e contar com apoio de procurador dentro da força-tarefa da Lava-Jato.

Organização criminosa

O relatório da PF ainda sugeriu a implicação de Temer pela PGR por participação em suposta organização criminosa formada pelo PMDB na Câmara. Exatamente um mês depois de vir a público o conteúdo da delação da JBS, a revista Época publicou, no dia 17 de junho, entrevista com Joesley, na qual o empresário afirmou: "Temer é o chefe da Orcrim (organização criminosa) da Câmara. Temer, Eduardo (Cunha, deputado cassado), Geddel (Vieira Lima, ex-ministro e que chegou a ser preso pela Lava-Jato), Henrique (Eduardo Alves, também ex-ministro e preso pela força-tarefa), (Eliseu) Padilha (atual ministro da Casa Civil) e Moreira (Franco, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência). É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa". Na mesma entrevista, Joesley destacou a relação entre o presidente e Cunha: "A pessoa a qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia."

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