A Associação de Magistrados da Bahia (Amab) divulgou neste sábado uma nota de repúdio contra o advogado Felisberto Odilon Córdova, que disse em uma entrevista à rádio CBN/Diário que o Tribunal de Justiça da Bahia "não tem 10% de juiz honesto" e que é uma instituição "podre".  A entrevista foi concedida ao apresentador Mário Motta e nela o advogado, que atua em Florianópolis, reafirmou as acusações feitas contra o desembargador Eduardo Gallo Junior, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, de ter pedido R$ 700 mil em propina para lhe conceder um julgamento favorável. 

Na nota, a AMAB afirma que Córdova fez "insinuações de cunho difamatório" contra os magistrados baianos e que as declarações denotam "desequilíbrio e preconceito" por parte do advogado.

Veja abaixo a íntegra da nota 

"A Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB), entidade que congrega os juízes e desembargadores da Justiça estadual, apresenta esta nota de repúdio em função de insinuações de cunho difamatório feitas pelo advogado catarinense Felisberto Odilon Córdova contra a magistratura baiana. As declarações, prestadas durante entrevista à Rádio CBN, de forma irresponsável, mostram desequilíbrio e preconceito.


Sem apresentar dados concretos ou informações comprobatórias de suas declarações, e no intuito de minimizar o afronte cometido contra o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o advogado faz comparações abstratas com o Tribunal de Justiça da Bahia e generaliza agressões, de forma gratuita, aos magistrados baianos. Sua afirmação tentar apontar superioridade ética e profissional dos juízes catarinenses contra os baianos, e mostra, de forma desrespeitosa, atitude preconceituosa não apenas contra o Judiciário do nosso estado mas a toda a população da Bahia.


Os magistrados baianos, mesmo enfrentando sérias dificuldades estruturais, apresentam alta produtividade, com uma média, por ano, de 1.152 processos finalizados por cada juiz. Em um ano, os magistrados do estado baixaram 675 mil processos, com 526 mil sentenças. Ouvir ilações de um profissional do Direito que pouco conhece nosso estado e nosso cotidiano causa tristeza e indignação.


A AMAB, em nome dos magistrados baianos, tomará as medidas jurídicas cabíveis e exigirá do advogado a comprovação das suas afirmações, apontando nomes e ilegalidades que fundamentam suas declarações. É preciso passar a limpo o fato, em respeito a todos os juízes sérios, éticos e trabalhadores que atuam neste estado.

Freddy Pitta Lima

Presidente da AMAB"

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