O candidato da oposição queniana, Raila Odinga, que se recusa a aceitar sua derrota eleitoral, anunciou neste domingo (13) que apresentará na próxima terça-feira a estratégia a ser adotada daqui para frente e convocou correligionários e simpatizantes a não irem trabalhar amanhã.

Em sua primeira aparição pública desde sexta-feira à noite, Odinga também pediu a seus simpatizantes para não irem trabalhar na segunda de manhã, após pressão da comunidade internacional para que ele interviesse no sentido de arrefecer os ânimos no período pós-eleitoral.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, instou Odinga a enviar "uma mensagem clara a seus simpatizantes para que se abstenham de recorrer à violência". União Europeia e Reino Unido também fizeram um apelo pela moderação e felicitaram Kenyatta por sua vitória.

"Por enquanto, eu lhes digo para não irem trabalhar amanhã (segunda-feira). Ainda não perdemos. Não vamos abandonar vocês. Aguardem que eu anuncio na terça o caminho a seguir depois de amanhã", declarou Odinga, em meio a centenas de partidários na favela de Kibera, em Nairóbi.

Na comunidade, Odinga visitou a família de uma menina de 9 anos morta a tiros na manhã de sábado, quando estava na varanda no quarto andar de um prédio.

"Queremos ouvir Raila. Queremos ouvir o que ele tem a dizer. É ele que vai nos guiar. Se nos disser para sairmos às ruas, sairemos às ruas. Se quiser que fiquemos em casa, vamos ficar em casa", declarou Humpfrey Songole, um cabeleireiro de 25 anos, de Mathare, horas antes de Odinga falar em Kibera.

- Escalada entre etnias -

Depois de uma noite tranquila, violentos confrontos foram registrados hoje na comunidade de Mathare entre membros da etnia kikuyu, ligada ao presidente reeleito Uhuru Kenyatta, e integrantes da etnia luos, partidários do opositor derrotado nas urnas.

A violência irrompeu depois que os luos incendiaram estabelecimentos de comerciantes kikuyus, provocando uma batalha campal entre ambos os grupos. Um homem, que seria um kikuyu, foi espancado com um bastão, e seu corpo jazia inerte no chão.

Na sexta-feira (11), a Comissão Eleitoral anunciou a vitória do presidente Uhuru Kenyatta, com 54,27% dos votos, contra os 44,74% obtidos por Odinga. A oposição contesta esses números.

Após a divulgação dos resultados, confrontos esporádicos, porém violentos, explodiram na periferia da capital e no oeste do país.

De acordo com balanço da AFP com base em fontes policiais e hospitalares, os distúrbios teriam deixado pelo menos 16 mortos até o momento: nove em Mathare, Kibera e Kawangware; e sete no oeste do país, em Kisumu, Homa Bay, Migori e no condado vizinho de Siaya.

Embora a repressão policial esteja sendo feroz, o ministro do Interior, Fred Matiangi, garante que a Polícia não lançou mão do "uso desproporcional da força contra nenhum manifestante em nenhum lugar do país".

* AFP

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